Depois do fracasso das negociações entre o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), que ganhou as legislativas de Outubro do ano passado, e o Partido Popular Austríaco (ÖVP), é agora provável uma geringonça entre o ÖVP (dito conservador, mas acima de tudo globalista) o SPÖ (de esquerda), e o Neos (neo-liberal), que terão chegado a acordo, se não sobre as políticas, sobre a distribuição dos ministérios.

Os pormenores ainda estão a ser discutidos, mas os ministérios mais importantes terão já sido atribuídos, mantendo-se alguns ministros do ÖVP nos seus cargos.

Os líderes dos partidos, Christian Stocker (ÖVP), Andreas Babler (SPÖ) e Beate Meinl-Reisinger (Neos), anunciaram a sua intenção de formar um novo governo depois de se terem reunido com o Presidente austríaco Alexander Van der Bellen em Hofburg, tendo Van der Bellen descrito as negociações como estando já numa fase avançada.

Christian Stocker, do ÖVP, será o chanceler. O SPÖ ficará com o Ministério da Justiça, enquanto o ÖVP ficará com os Ministérios do Interior e da Defesa. Está também em curso uma investigação sobre o ÖVP, o que tornaria qualquer ministro da justiça desse partido potencialmente problemático.

O Neos, considerado um partido extremamente pró-UE e russofóbico, ficará co,m o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que será chefiado pelo seu líder, Meinl-Reisinger. Ao Neos caberá também o ministério da educação.

A pasta da economia será atribuída ao ÖVP, embora ainda não tenha sido nomeado nenhum candidato.

A questão que se coloca agora é se o FPÖ cometeu um erro histórico ao afastar-se das negociações, que poderiam ter levado o líder do partido, Herbert Kickl, a ser nomeado chanceler, ou se a decisão será compensada a prazo, caso a geringonça não resista às divisões internas.

A este propósito, o FPÖ emitiu um comunicado:

“Depois deste primeiro fracasso, o FPÖ foi chamado a elaborar um plano para evitar o procedimento do défice da UE, que ameaça a nossa soberania. Depois disso, o ÖVP e Christian Stocker apenas mantiveram negociações fictícias com o FPÖ, ao mesmo tempo que continuaram a promover q coligação perdedora do semáforo nas salas dos fundos, apenas para que o ÖVP pudesse continuar a favorecer o chanceler, apesar de ter sido claramente derrotado. Agora, estamos a ver exactamente o que começaram a planear nos meses que antecederam as eleições e que destruiu literalmente a República Federal da Alemanha: um governo de semáforo constituído por perdedores das eleições, que actua de forma hostil à economia, ao poder local e aos cidadãos, que prossegue o curso da destruição da prosperidade, do caos, da insegurança e da imigração ilegal em massa e que, em última análise, faz do sistema o vencedor e do povo o perdedor. Com o FPÖ e Herbert Kickl teria sido exactamente o contrário, a população teria ganho.”

O secretário-geral do FPÖ, Michael Schnedlitz, apelou à realização imediata de novas eleições para evitar esta “fraude contra os austríacos”, afirmando:

“Acusar o Partido da Liberdade e, em particular, o presidente do FPÖ, Herbert Kickl, de ‘fraude eleitoral’ por não querer apoiar’ o ÖVP é uma atitude bastante ousada. Kickl e o FPÖ negociaram a favor dos cidadãos do nosso país e não contra eles. O Partido Popular, pelo contrário, não está à procura de um governo para a Áustria, mas apenas para si próprio. A sua força motriz é o interesse próprio, a vaidade e o encobrimento e ocultação dos seus próprios fracassos, o que ficou claramente demonstrado no resultado das eleições do último Conselho Nacional.”

Esta é a ‘democracia’ que os globalistas europeus tanto gostam de proclamar. A democracia dos que perdem as eleições mas não perdem o poder. A democracia dos que cumprem com a agenda de Bruxelas, contra os interesses dos eleitores. A democracia que perpétua as oligarquias corporativas. A democracia que une radicais de esquerda, liberais e ‘conservadores’ num conluio para anular mandatos eleitorais.

A democracia de tiranos, assente na ideologia do martelo.