Logo após ter ganho as eleições federais, o próximo chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, enfatizou que a sua “prioridade absoluta” é que a “Europa” ganhe “independência dos EUA”. Merz pretende provavelmente aumentar o poder da União Europeia (UE) à custa dos contribuintes dos seus estados membros – o que é geralmente a solução proposta pelos apoiantes da UE para qualquer crise.
“Os americanos, pelo menos estes americanos, esta administração, são em grande parte indiferentes ao destino da Europa”, argumentou Merz, apesar de os EUA terem feito muito mais para ajudar a Ucrânia e para apoiar a NATO em geral do que a Alemanha, que negligencia cronicamente as suas obrigações em matéria de despesas de defesa e enriqueceu a Rússia através de vários acordos energéticos durante décadas.
“Estou muito curioso para ver como estamos a caminhar para a cimeira da NATO no final de Junho”, disse Merz, sugerindo que a Europa pode precisar de acelerar o estabelecimento de uma capacidade de defesa auto-suficiente, se o futuro da NATO permanecer incerto.
Embora os comentários impliquem uma crítica ao Presidente Donald J. Trump, este pode não ter qualquer problema em ver a Europa – que tem uma população muito maior do que a dos EUA – a tomar medidas significativas para garantir a sua própria defesa, com a excessiva dependência do velho continente da generosidade americana a ser um ponto de discórdia central para o Presidente americano.
Não deixa porém de ser surpreendente que a prioridade de Merz seja a política externa e o compromisso com um reforço das capacidades militares da Europa. Afinal, a Alemanha debate-se com sérios problemas internos que deveriam ser a prioridade do executivo alemão, como uma economia debilitada, tecnicamente em recessão desde o início de 2023, e mergulhada numa duradoura crise energética, uma sociedade em desagregação e a revelar crescentes e assustadores índices de criminalidade perpetrada por imigrantes e significativa polarização ideológica, entre as forças do estabelecimento e os eleitores descontentes que votaram AfD e que são ignorados pela elite dirigente.
Acresce que a “independência” de que fala Merz vai sair caro aos alemães em particular e aos europeus em geral, que vão suportar com mais impostos os delírios belicistas de Merz, cuja retórica de qualquer forma deixa a Europa isolada no mundo: depois de ter fabricado um inimigo na Rússia, depois de ter encetado uma guerra comercial com a China, a União Europeia está agora empenhada em hostilizar os EUA. E assim sendo, empobrecidos, sobretaxados e indefesos, com que amigos ficamos no mundo?
Apesar de sair vencedora das eleições de domingo, convém sublinhar que a CDU obteve um dos piores resultados das últimas décadas, pelo que o magro mandato eleitoral recomendaria menos ambição globalista e mais preocupação com as questões que realmente perturbam a vida dos alemães. Mas as elites do estabelecimento europeu pensam e agem sempre contra o senso comum.
Neste sentido, o ContraCultura não pode deixar de advertir aqueles que pensam que as eleições de domingo, por terem colocado um partido dito ‘conservador’ ou ‘de centro direita’ no poder, correram menos mal e que um governo dirigido por Merz será apesar de tudo melhor para a Europa do que a administração de Olaf Scholz. A verdade é que se Sholz não passava de um idiota, o próximo chanceler alemão, se bem que contabilize uns pontos acima no quociente de inteligência, é um globalista da pior espécie, com ligações à Blackrock e uma impenitente visão WEF do mundo e da política. A Alemanha vai continuar no mesmo rumo de autodestruição e de destruição da Europa, vai continuar a errar nas questões contemporâneas fundamentais, como a guerra na Ucrânia, as políticas de imigração e a desindustrialização, vai continuar a queda para a governação totalitária e o esmagamento da liberdade de expressão.
Pelo menos enquanto a frágil coligação com o SPD se mantiver operacional.
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