O Semáforo
Também fica indeciso –
No amarelo
Ah a inocência
Do parque de estacionamento
Às cinco da manhã
Tão tristes os meus poemas
Que até a fonte de letra
Se aborrece
O tipógrafo parece
Adormecer, mas o chumbo
Cai na caixa
Samurai –
Se não usas a espada
A pena esmorece
Onde há homens
Há guerra –
E budas
Primavera –
A aranha no meu quarto
Não dá por ela
São belos os campos
Quando estou aos comandos
Do automóvel
Puta da idade –
Mesmo diante do diabo
Sinto dores no joelho
Da praia sobe o ruído
De ondas e crianças –
Deus também tem cócegas
Os dias passam em
Slow Motion –
Até os sonhos se demoram
Alto da falésia –
Mesmo a morte
Não tem pressa
É a vida que é curta
Ou é o homem que é
Ávido?
Vista de cima é mais bonita
A baía, do que lá em baixo
Parece
Talvez aos deuses
Pareça o mundo
Da mesma maneira
A buganvília ressuscitou
Com um litro de água –
A vida quer ser vida
Ninguém fará a guerra
Depois de uma boa
Refeição
_____________
A Arte do Haiku: Introdução.
Relacionados
28 Mar 25
Umbral
Depois de atravessares todas as portas e de perceberes que por todas elas saíste quando julgavas ter entrado, onde vais agora? Um poema de Alburneo.
21 Mar 25
Árvores Dendrites
A Árvore dendrite tolera os pássaros como as crianças toleram os cães. Um poema de Alburneo.
11 Mar 25
Haikus da baía praia
A arte do haiku: Um dia perfeito, uma conversa com Neptuno, uma omelete civilizada e uma vila simpática, nativos à parte.
19 Fev 25
Haikus que se escrevem sozinhos
A arte do haiku: A traineira incomoda o scoth do comandante, a motorizada berra sobre o silêncio e a soma dos anos produz o reumático (mas não te queixes porque Deus compensa-te com versos que se escrevem sozinhos).
11 Fev 25
Trova dos Deuses Astronautas
Vêm lá dos confins do espaço, em busca dos desertos americanos. Enlatados em discos d'aço, vão chegando os marcianos.
7 Fev 25
As mulheres
Sobre as mulheres que carregam o sol e que da serra trazem o pão ao colo do tempo. Um poema de Alburneo.