A Arte do Haiku: Introdução.

Uma introdução a um legado maravilhoso da literatura clássica japonesa - o haiku, que precede a publicação de um extenso trabalho lírico, redigido em português, mas inspirado nesta forma minimal da poesia nipónica.

Haikus do fundo da noite
(Parte II)

A arte do haiku: o erro de Darwin, o despesismo da Marinha e o telescópio transformista, ou porque é que os sinos da minha aldeia batem mais alto do que o Fernando Pessoa imaginou.

Haikus de antes da guerra (Parte II)

A arte do haiku: a paz da solidão, a eloquência de Cristo, a ambição dos canalhas e a tropa dos cobardes - aos domingos, a baía enerva-se.

Haikus do alto da falésia (décima temporada)

A arte do haiku: é a Parker que verseja, é o Beethoven que grita, é a baía que cria. Tudo o que o poeta tem que fazer limita-se ao jornalismo. Salvo seja.

Novos haikus de Fornalhas Velhas

A arte do haiku: a Ofélia encontra ovelhas para pastorear, os insectos suicidam-se na piscina, os maus versos também têm préstimo e o apagão mostra-te o rosto de Deus.

Haikus de antes da guerra.

A arte do haiku: a minha bandeira é a paisagem, o meu país é a baía, o meu gato é do mato e a minha cadela é de companhia. A guerra é incontornável, mas aproveito a paz para ser feliz.

Haikus de Fornalhas Velhas

A arte do haiku: de repente, a estrada acaba - Fornalhas Velhas. Onde a vilania do mundo encontra um fim e quase consegues ouvir a Terra a rodar sobre o seu eixo.

Haikus da Consoada

A arte do haiku: os monges ortodoxos são promovidos a anjos e os reis magos a imperadores, enquanto as pessoas ficam mais bonitas. Na Consoada, fazemos as pazes com o mundo.

Haikus d’Inverno

A arte do haiku: O Inverno toma a baía de surpresa, o oceano diz-te da tua situação no universo e Deus entretém-se com a cenografia, para teu prazer estético.

Haikus de um lugar no inferno

A arte do haiku: no fim da tempestade permaneces cristão, mesmo quando sabes que vais ser condenado na mesma. Salva-te, por enquanto, o gato que salvaste.

Haikus da Praia de S. João

A arte do haiku: rumas em direcção à morte com expectativas de odisseia, mas a vinte minutos de Lisboa, com o Tejo pelas costas e o Atlântico pela frente, já não estás assim tão a leste do paraíso.

Haikus do fundo da noite

A arte do haiku: a Marinha faz uma espécie de turismo, o grilo faz cócegas ao silêncio e a lua faz concorrência ao sol. Ao terceiro scotch, a baía ganha virtude.

Novos haikus do alto da falésia

A arte do haiku: de veleiros antípodas, traineiras apressadas e fragatas temerárias ou uma tragédia marítima com sílabas a mais.

Haikus Alexandrinos

A arte do haiku: Sentado sobre a baía - como Ptolomeu em Alexandria - tenho saudades do meu cão Gandalf. E do tempo em que não era vivo.

Haikus de valsa lenta

A arte do haiku: Mozart diverte-se, as rosas rebentam e as traineiras poupam no gasóleo. E quando a tarde fica cansada dos seus super poderes, chega a hora do gin tónico.

Haikus do Tempo Suspenso

A Arte do Haiku: os aspersores assustam os cães, a nortada anuncia o Outono, o tempo desobedece ao relógio e o meu telescópio de criança descobre os anéis de Saturno.

Haikus do cabo do mundo.

A arte do Haiku: onde a terra acaba e o mar começa, os reis aprendem a humildade, os eremitas ouvem a voz de Deus e os mortos fazem-te falta.

Haikus de um Verão sem fim

A Arte do Haiku: Deus estendeu o Verão para lá do Cabo Espichel, e inventou a falésia para benefício do poeta. As gaivotas sossegam os nervos e a pescada foi promovida a lagosta. Sai um gin.

Haikus da baía praia

A arte do haiku: Um dia perfeito, uma conversa com Neptuno, uma omelete civilizada e uma vila simpática, nativos à parte.

Haikus que se escrevem sozinhos

A arte do haiku: A traineira incomoda o scoth do comandante, a motorizada berra sobre o silêncio e a soma dos anos produz o reumático (mas não te queixes porque Deus compensa-te com versos que se escrevem sozinhos).

Haikus da Consoada

A arte do haiku: Um cobertor para o menino, um concerto no paraíso, o frio que faz lá fora e o calor que faz cá dentro. Na consoada, o mundo é mais bonito.

Haikus da Revolução

A Arte do Haiku: A Lego tem vergonha da sua esquadra de polícia, Lenine arrepende-se de Estaline e Jeff Bezos toca a sua lira enquanto vilões destroem a memória dos heróis. Mas a revolução não estraga um bom dia de praia.

Haikus da Quarentena

A Arte do Haiku: O carnaval das máscaras cirúrgicas, a distância social das moscas, a segurança da campa, o silêncio dos cobardes e a realidade como produção de Hollywwod. Memória descritiva do confinamento.

Mau tempo na baía.

A Arte do Haiku: o relâmpago ensina a humildade, o trovão assusta os versos e o tédio gera passatempos, enquanto S. Pedro ameaça a baía com fotões e decibéis.

Marés vivas

A arte do haiku: O Atlântico ruge, agita-se e finge ameaças, mas Deus está bem disposto.

Praia de Maio

A arte do haiku: A publicidade estraga a paisagem, os croquetes pedem paz, o isqueiro rende-se ao vento e o IPMA não percebe nada disto.

Nas dunas

A arte do haiku: Nas dunas estás noutro planeta; onde és ensurdecido pelo oceano, mal tratado pelo empregado de mesa, os flamingos sabem mais que tu e nem os grilos vencem o silêncio.

De estadistas e outros insectos.

A Arte do Haiku: A comichão do Presidente, o voo do besouro, a popularidade dos santos, a beleza do parque de estacionamento, o preço de um lugar ao sol e outros versos com sílabas a mais.

Do alto da falésia.

A Arte do Haiku: O cálculo do melro, o stress da gaivota, e a paz que perdem os ateus; no alto da falésia ficas mais perto de Deus.

Entre a baía e a enseada.

A Arte do Haiku: A gramática da baía, a violência da enseada, a prosa de Darwin, a lírica de Deus e a virtude do whisky, que não se altera em função do azimute.

De marés e marinheiros.

A Arte do Haiku: O poeta precisa de vinho, o contratorpedeiro precisa de gelo, a traineira precisa da doca, a Mãe Natureza precisa de espectadores e os versos escrevem-se sozinhos, no alto da falésia.

De corvetas e traineiras

A Arte do Haiku: As gaivotas fazem continência, as moscas sofrem de claustrofobia, as traineiras lutam com a maré, as corvetas combatem o tédio, Bach luta contra o silêncio e o haxixe tem uma coisa boa.

As Cócegas de Deus.

A Arte do Haiku: Deus está com cócegas, o semáforo fica indeciso, a buganvília ressuscita e o tempo passa devagar, no alto da falésia.

ContraCultura, ano #02:
E daqui para a frente?

No seu segundo aniversário, o Contra não tem nada que celebrar, dado o carácter sinistro dos tempos que correm. Mas isso não quer dizer que se arrumem as luvas no cacifo deste clube de combate. Há apenas que tentar fazer melhor - e diferente - daqui para a frente.