Há no mundo uns milhões de malucos que desde dia 3 deste mês puderam respirar de alívio. O tão aguardado WRC já saiu. E é o máximo.
A história conta-se rapidamente: Quando em 2020 os fãs das simulações de corridas souberam que a universalmente odiada EA Sports tinha comprado a CodeMasters, que era talvez a empresa mais respeitada do mercado, responsável por títulos lendários como a série Colin McRae e a Série Dirt Rally, caiu literalmente o Carmo e a Trindade. A comunidade jogateira entrou em depressão profunda na expectativa, nessa altura perfeitamente legítima, de que a CodeMasters tinha sido comprada para ser terminada (de forma a que a EA deixasse de ter concorrência) e que nunca mais íamos ter um jogo de ralis decente na vida.
Alguns até pensaram que iam continuar a jogar Richard Burns – um título de 2004 – para todo o sempre.
Mas não foi isso que sucedeu. A EA teve um ataque de decência, pegou na série WRC, o jogo oficial do mundial de ralis cuja concessão tinha adquirido à FIA já há uns anos, e atribuiu-a aos mestres da CodeMasters.
O resultado é o brutal WRC que foi lançado no dia 3 deste mês.
É claro que comprei o jogo logo nesse dia, mas devo dizer que não foi fácil afinar os periféricos da Fanatec, e passei umas horas largas até conseguir que tudo estivesse “up and running”.
Uma dica: se algum dos leitores tem um travão de mão desta marca, recomendo que afine a saturação no menu de edição do periférico no jogo, em vez de tentar fazê-lo mecanicamente no periférico.
Por outro lado, os parâmetros de force feedback também têm que ser ajustados, já que o jogo traz por defeito esses níveis um pouco baixos, pelo menos para a afinação que eu tinha no volante e que estava a servir bem os anteriores Dirt Rally.
Mas depois dos necessários ajustes, e apesar de ter ainda muito poucas horas de experiência, posso dizer que o WRC é um simulador de ralis monumental.
Forças físicas super realistas, excelente jogabilidade, 200 etapas intermináveis num quadro que integra todos os 18 ralis do campeonato do mundo, automóveis que nunca mais acabam (só clássicos são 68), condições atmosféricas e de piso dinâmicas, não só de etapa para etapa mas também no decorrer de cada troço, e tudo por 50 euros.
O preço é realmente surpreendente, porque a EA tem a reputação de ser a mais chupista das empresas a operar no universo do Gaming. É até natural que no decurso do ciclo de vida do WRC as actualizações sejam a pagar e caras, considerando o perfil corporativo da empresa.
Talvez a única variável que não impressione tanto seja a componente visual. Os gráficos da CodeMasters, tantos os de interface como os de corrida e repetição, sempre foram excelentes, e os jogos sempre foram muito bonitos. O aspecto estético deste WRC cumpre essa tradição (não tanto nos interfaces), mas não apresenta grandes melhorias em relação ao Dirt 2, pelo menos no que diz respeito à PlayStation e considerando que a plataforma entretanto é outra, mais potente.
Aqui talvez tenha sido dada prioridade ao número de automóveis, ralis e etapas (bem como à sua extensão, que é de deixar a malta exausta). E isso, na verdade, é positivo porque um dos poucos defeitos da série Dirt Rally era o da repetição constante dos troços, que acabavam por ser facilmente decorados, como se fossem circuitos. Esta situação traia o espírito dos ralis, em que as notas do co-piloto são determinantes para o domínio da estrada. Essa batota acabou, porque vai ser muito difícil decorar os 600 quilómetros de curvas e contra-curvas, ganchos e lombas, armadilhas e ravinas, asfalto, terra e empedrado que o este tortuoso WRC encerra, tanto mais que a totalidade dos percursos pode ser corrida a qualquer hora do dia ou da noite e sob condições atmosféricas muito diversas.
Uma última nota: mesmo os jogadores mais experimentados vão notar que a partir do patamar noventa da dificuldade apresentada pela inteligência artificial nos modos Single Player, o jogo fica bem difícil. Mas como os carros se conduzem muito bem e são fiéis às leis da física, mesmo quando perdes, o prazer é intenso.
Seja como for e por agora, é desfrutar e acelerar porque o WRC vale completamente a pena.E Jimmy Broadbent, talvez o mais popular simracer da actualidade, está de acordo.
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