As últimas 48 horas da semana passada foram de convulsão no Twitter. Depois da rapaziada do Daily Wire ter decidido inaugurar o mês do orgulho gay com o lançamento gratuito na plataforma, durante apenas 24 horas, do filme de Matt Walsh “What Is a Woman?”, um dos trabalhos mais brilhantes de desmontagem e crítica da cultura trans e do fascismo woke alguma vez produzidos, os apparatchiks que ainda resistem na companhia do passarinho azul decidiram que esse post seria catalogado como “discurso de ódio” e não podia ser partilhado nem teria qualquer alcance, mesmo junto daqueles que seguem a conta do Daily Wire.
Tudo isto terá sido feito, aparentemente, à revelia de Elon Musk, que estava na China, numa das suas viagens de confraternização com os camaradas do Partido Comunista nativo, de quem ele tanto gosta.
Mais tarde, Musk postou uma resposta a um tweet de protesto do Daily Wire afirmando que afinal o filme ia chegar aos seguidores da conta, podia ser partilhado e não ia ser rotulado como “discurso de ódio”, mas que não ia alcançar mais ninguém e não seria associado a qualquer campanha publicitária a correr na plataforma, o que não deixa de ser, de qualquer forma, uma decisão censória que vai contra todos os valores que Musk afirmou como orientadores da aquisição e gestão do Twitter.
Já hoje, Musk recomendou até que todos os pais deveriam ver “What Is a Woman?”, fazendo a partilha do filme, nesse post.
Every parent should watch this https://t.co/pIp6UP6vq8
— Elon Musk (@elonmusk) June 2, 2023
Entretanto, a directora de políticas e segurança do Twitter, que é capaz de ter sido a responsável pela decisão de obliterar o documentário na plataforma, demitiu-se. O Contra deseja-lhe boa viagem. Só de ida.
“What Is a Woman?” é tudo menos discurso de ódio, como é óbvio (o ContraCultura aconselha vivamente a verificação do que aqui de afirma pelo consumo do documentário, claro). É um trabalho honesto e extremamente polido, que procura apenas desconstruir as narrativas LGBT, denunciar os excessos surrealistas a que chega o movimento, a confusão que está a criar nas pessoas, a cumplicidade risível e profundamente anti-científica das academias, a tirania a que os governos, em sintonia com as grandes corporações, submetem as populações a este propósito, e etc.
Quanto a Elon Musk, continua, como o Contra por várias vezes já alertou, à procura de um equilíbrio entre o idealismo e a aceitação da plataforma pelas grandes corporações, de que precisa para salvar o Twitter da ruína financeira. E em guerra aberta com os activistas da esquerda radical que ainda habitam a companhia, apesar de já ter despedido 80% dos párias que lá trabalhavam.
É a estratégia do cravo e da ferradura.
Não o estamos a desculpar. Se não estava preparado para enfrentar os grandes interesses dos poderes instituídos, não devia ter prometido o que prometeu. Ainda assim, o Twitter é melhor com ele do que sem ele. Sem ele, este filme, que no momento em que estas linhas estão a ser escritas já soma para lá de cento e cinquenta milhões de visualizações, não teria qualquer hipótese de permanecer online na plataforma por mais do que uns breves minutos.
Matt Walsh, ele mesmo, faz o balanço da novela.
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