No vácuo sideral não há som. Mais ou menos, porque o Observatório de Interferometria Laser de Ondas Gravitacionais dos Estados Unidos da América (LIGO) conseguiu ouvir qualquer coisinha, em 2016. Nada mais nada menos do que a prova de que Einstein estava certo quando calculou, na Teoria da Relatividade Geral, que tinham que existir ondas gravitacionais a fluir no universo, causadas por singularidades em colisão e carregando quantidades brutais de energia, e que estas forças seriam de tal magnitude que poderiam provocar perturbações no tecido do espaço-tempo.
O barulho que fazem as ondas gravitacionais resultantes de uma colisão entre dois buracos negros é este aqui:
Será talvez um bocadinho arrepiante, não? Basta pensar que este ruído significa que, algures no universo, o tempo andou de repente para trás, ou de repente para a frente, e que o espaço decidiu encolher-se ou esticar-se muito para além daquilo que é plausível.
Agora a sério: esta descoberta, assinada por mais de mil cientistas, foi importante porque permitiu aos físicos a perseguição das ondas gravitacionais até aos seus pontos de origem, e a sua detecção precisa em 2018, de forma a aprofundar os nossos conhecimentos sobre a arquitectura do cosmos. Mas é, sobretudo, um argumento forte a favor da existência de buracos negros convencionais (ou seja: einsteinianos). É que, ao contrário do que muito boa gente pensa, nem toda a comunidade científica está de acordo sobre o assunto e o Contra também tem dúvidas.
O problema dos buracos negros é que são geralmente utilizados para justificar a maior parte das singularidades e das excepções às leis da física observadas no universo. E este tipo de taxonomia que reduz tudo o que se desconhece à mesma categoria fenomenológica é muitíssimo discutível.
Seja como for, este foi um avanço científico de significado. E é bom saber que continuamos à escuta. Mesmo quando o que ouvimos é apenas o ruído que faz o mistério.
Relacionados
14 Ago 26
Sigam a ciência! 40% dos sinais de ressonância magnética não correspondem à actividade cerebral real.
Os neurocientistas há muito que presumem que, quando uma região do cérebro se torna mais activa, mais sangue flui para ela, premissa que valida os dados da ressonância magnética. Mas um novo estudo afirma que esta premissa está errada em cerca de 40% dos casos.
11 Ago 26
Mensagens de texto de Fauci revelam preocupações sobre abortos espontâneos provocados pelas vacinas mRNA contra a Covid-19.
Mensagens de texto recentemente divulgadas mostram Anthony Fauci a discutir os potenciais riscos das vacinas de mRNA contra a COVID-19 para as mulheres grávidas, levantando questões sobre a transparência do programa de vacinação e o consentimento informado.
7 Ago 26
OpenAI suspende lançamento de novo modelo devido a repetidas “fugas”.
A OpenAI suspendeu a implementação de um novo modelo de IA depois de este ter demonstrado a capacidade de contornar as suas restrições de segurança e procurado continuamente formas de contornar as limitações, levantando preocupações sobre a segurança do sistema.
4 Ago 26
Agentes de IA da Anthropic invadem sistemas de várias empresas durante testes.
Os modelos de IA da Anthropic, incluindo o Claude, invadiram os sistemas de três organizações durante os testes, levantando sérias preocupações sobre a segurança da IA e a eficácia das medidas de contenção implementadas laboratorialmente pelas tecnológicas de Silicon Valley.
3 Ago 26
RFK Jr. acusa Fauci de ocultar problema de saúde que sofreu em consequência de ter sido vacinado contra a COVID-19.
Robert F. Kennedy Jr. afirmou que Anthony Fauci lidou em privado com um problema de saúde relacionado com a vacinação contra a Covid, tentando esconder o facto, enquanto promovia o programa de terapia genética mRNA publicamente.
3 Ago 26
Contado ninguém acredita: Tecnológicas de Silicon Valley estão a comprar livros raros por atacado, para depois os destruírem no processo de digitalização.
Para alimentar os centros de dados que servem os seus sistemas de IA, as tecnológicas de Silicon Valley estão a comprar livros raros em quantidades industriais, para depois os destruírem no processo de digitalização, num atentado terrorista contra o legado da humanidade.





