Duas semanas após o CEO da Pfizer, Albert Bourla, ter cancelado o seu testemunho perante a comissão especial do Parlamento Europeu, na sequência de um relatório que destacava um acordo “secreto” entre ele próprio e a Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, o Promotor Público Europeu (PPE) abriu uma investigação sobre as compras de vacinas Covid-19 efectuadas pela União Europeia.
O PPE é um órgão independente da UE, responsável por investigar e processar crimes financeiros, incluindo fraude, branqueamento de dinheiro e corrupção. No seu anúncio de sexta-feira, o organismo não especificou quem estava a ser investigado, ou quais os contratos que estavam a ser objecto de investigação.
Concomitantemente, duas outras agências de fiscalização já focaram a sua atenção no acordo von der Leyen / Bourla.
Num comunicado, o PPE confirmou a abertura do inquérito:
“Esta confirmação excepcional deve-se ao interesse público extremamente elevado. Não serão tornados públicos mais pormenores nesta fase.”
Em Abril de 2021, o New York Times publicou pela primeira vez um relatório sobre mensagens de texto trocadas entre von der Leyen e Albert Bourla, CEO da Pfizer, no período que antecedeu o maior contrato de aquisição de vacinas da UE – 1,8 mil milhões de doses de vacina BioNTech/Pfizer. O acordo valeria até 35 mil milhões de euros se fosse totalmente exercido.
Em Janeiro deste ano, o provedor de justiça da UE acusou a Comissão de má fé por não ter entregue as mensagens de texto em resposta a um pedido de liberdade de informação. Sem confirmar a existência dos textos, a Comissão argumentou na sua resposta que “não são mantidos documentos efémeros e de curta duração”, afirmando que a pesquisa das mensagens de texto não tinha dado qualquer resultado.
No mês passado, o Tribunal de Contas Europeu publicou um relatório no qual afirmava que a Comissão recusava a transparência relativamente aos pormenores do papel pessoal de von der Leyen no contrato Pfizer.
Nesse relatório, a líder da comissão europeia é acusada de desonestidade e de ter concretizado um acordo pessoal com a Pfizer, em vez de delegar o processo em equipas de negociação conjuntas. Embora tenham sido propostos à Comissão outros contratos de vacinas, este órgão executivo da União europeia recusou-se a fornecer ao tribunal quaisquer documentos relativos a esses procedimentos preliminares.
Segundo a eurodeputada socialista belga Kathleen van Brempt, “vários aspectos” do contrato da Pfizer devem ser investigados, incluindo
“As mensagens de texto entre o Presidente da Comissão e o facto de não haver um rasto em papel das negociações preliminares em primeira instância”.
2/3 We need to know why the biggest contract is the least transparent. We need to understand why the EU is obliged to buy 1.8 billion Pfizer/BioNTech vaccines, regardless of the needs, regardless of whether new and better players have entered the market.
— Kathleen Van Brempt (@kvanbrempt) October 14, 2022
3/3 Many EU contracts reserved a “right” to buy but with the Pfizer contract we do have an “obligation” to buy. Why did we deviate from the normal procedure for a contract that covers our needs many times, for a period where all would already be vaccinated (2022 and 2023).
— Kathleen Van Brempt (@kvanbrempt) October 14, 2022
Esta deputada preside à comissão especial do Parlamento Europeu sobre a COVID-19 ao qual Bourla não compareceu. Tanto o Provedor de Justiça da UE como um membro do Tribunal de Contas Europeu estiveram presentes perante o painel.
No entretanto, Mislav Kolakusic, eurodeputado croata, reagiu com uma assertiva declaração a este caso explosivo, destacando o facto da Comissão Europeia ter adjudicado a aquisição de 1,8 mil milhões de doses para uma população total de 450 milhões de pessoas, numa altura em que se sabia muito pouco (ou quase nada) sobre a eficácia, ciclo de vida e efeitos secundários das vacinas.
Relacionados
2 Abr 25
Le Pen venceria todos os outros candidatos presidenciais com facilidade, de acordo com a última sondagem antes de ter sido condenada.
Marine Le Pen estava na rota certa para ganhar as eleições presidenciais de 2027 em França, segundo uma sondagem publicada poucas horas antes da audiência em tribunal que a condenou a quatro anos de prisão e interditou a sua actividade política nos próximos cinco anos.
1 Abr 25
Marine Le Pen condenada a 4 anos de prisão e a 5 anos de interdição de actividade política num caso gritante de perseguição judicial.
Marine Le Pen, a mais popular líder política francesa, foi condenada a 4 anos de prisão e 5 anos de suspensão da actividade política, num processo kafkiano. Qualquer europeu que nesta altura acredite que vive em democracia está em definitivo alienado da realidade.
31 Mar 25
Administração Trump: Europa não tem capacidade militar para derrotar os Houthis.
A Europa é superada pelas capacidades balísticas dos houthis, segundo mensagens trocadas entre altos quadros do gabinete de Donald Trump, que pretendem inclusivamente facturar os custos do ataque ao Iémen às nações do velho continente.
31 Mar 25
Scott Adams sugere a criação de um ‘Departamento de Preocupações Imaginárias’ para lidar com as falsas ameaças da esquerda americana.
O criador de 'Dilbert', teve uma ideia brilhante, ao sugerir a criação de um 'Departamento de Preocupações Imaginárias' para lidar com as arrelias dos democratas sobre o apocalipse climático, as ameaças à democracia ou o conluio de Donald Trump com o Kremlin.
28 Mar 25
Zelensky diz que diplomata de Trump “é bom no imobiliário”, mas que “isto é diferente”, e que Putin vai morrer “em breve”.
O presidente ucraniano parece estar a acusar o abuso de cocaína, e decidiu insultar os americanos, Donald Trump e o seu emissário Steve Witkoff, de uma assentada. Não admira que a diplomacia de Kiev aposte agora tudo num suposto cancro de Putin.
27 Mar 25
Marco Rubio suspende contratos da USAID no valor de dezenas de biliões de dólares.
No seguimento do trabalho de auditoria do DOGE, o secretário de Estado Marco Rubio anunciou que rescindiu cerca de 5.200 contratos - no valor de dezenas de biliões de dólares - pertencentes à Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional.