Não contente com a chacina que tem desencadeado no Iémen, o presidente Trump, cujo mandato eleitoral é o de acabar com o envolvimento dos EUA nas “guerras eternas” e que se afirmou e afirma como o ‘presidente da paz’ ameaçou o Irão com “bombardeamentos como eles nunca viram antes”, se o o país do Médio Oriente não chegar a um acordo com a Casa Branca sobre o seu programa nuclear.

Trump fez os comentários numa entrevista à NBC, observando que “se eles não aceitarem um acordo, haverá bombardeamentos”, e acrescentando que “há uma hipótese de que, se eles não aceitarem um acordo, eu lhes aplique tarifas secundárias como fiz há quatro anos”.

 

 

Na semana passada, Trump já tinha declarado que se o Irão se recusar a negociar um novo acordo nuclear, “coisas muito, muito más vão acontecer” ao país.

Os comentários surgem na sequência de uma recusa de Teerão em entrar em negociações directas com a administração Trump. Mas também depois de, na semana passada, Tulsi Gabbard, a directora dos serviços de inteligência da Casa Branca ter afirmado perante o Senado que o Irão não está a construir armas nucleares.

Ou seja, Donald Trump considera que a informação que recebe do regime Netanyahu é mais fidedigna do que aquela que lhe é prestada pela pessoa que colocou a chefiar os seus serviços secretos.

No domingo, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse a este propósito:

“As negociações directas com os EUA foram rejeitadas, mas o Irão sempre esteve envolvido em negociações indirectas e, também agora, o Líder Supremo [Ayatollah Ali Khamenei] sublinhou que as negociações indirectas ainda podem continuar”.

Em resposta à ameaça de bombardeamentos de Trump, Khamenei alertou na segunda-feira para uma retaliação vigorosa se os Estados Unidos ou os seus aliados bombardearem a república islâmica.

“Eles ameaçam com iniquidades. Se as cumprirem, receberão um forte contra-ataque’.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, declarou igualmente que

“uma ameaça aberta de bombardeamento por parte de um chefe de Estado contra o Irão é uma afronta chocante à própria essência da paz e da segurança internacionais”.

 

 

Baqaei alertou depois para “consequências” não especificadas em caso de ataque dos EUA, observando que “a violência gera violência”.

Mas a verdade é esta: o complexo industrial e militar americano tem que facturar. E se não for a propósito da guerra na Ucrânia, outra qualquer guerra tem que ser aberta para compensar o prejuízo.

E o investimento que os sionistas fizeram na campanha de Trump tem que ter retorno, claro.

O ‘Presidente da paz’ parece cada vez mais o ‘fantoche da guerra’.