Farto-me de rir com os americanos. Enquanto a esquerda se diverte com o atentado a Trump, parodiando até o facto de o homem ter apelado à luta logo depois de ter sido baleado, e desistindo de disfarçar a desilusão pelo tiro não ter feito mais estragos que aumentar as hipóteses eleitorais do velho magnata, a direita vangloria-se: um milímetro para o lado direito e era a guerra civil, o levantamento de um povo subitamente feito guerreiro de trincheira, sangue nas ruas e bombas no Capitólio, enfim, a revolução populista a ferro e fogo.
O X está agora repleto de posts deste género:
We were literally a millimeter away from civil war….
I am truly thankful that President Trump is alive!
— Graham Allen (@GrahamAllen_1) July 14, 2024
0.05 Seconds from Civil War.
I made this graphic to show you how close we really were yesterday.Trump 2024 🇺🇸 pic.twitter.com/tEwcepyadi
— Activist J (@Jaymacbae) July 14, 2024
INSANE: THE HEAD TILT THAT SAVED US FROM CIVIL WAR
This slow-motion video shows Donald Trump just barely tilting his head mere milliseconds before the shot was fired.
God Bless America 🇺🇸 pic.twitter.com/M69tiK7Lr5
— JAKE (@JakeGagain) July 14, 2024
A sério? Os conservadores americanos são todos os dias baleados na sua dignidade, nos seus direitos, nas suas tradições, nas suas liberdades, nas suas convicções religiosas. São odiados pela imprensa, desprezados pelos políticos que elegem, fascizados pelo governo federal, espiados pela CIA e perseguidos pelo FBI. São desempregados pela oligarquias industriais, mal tratados por activistas de extrema-esquerda, ignorados pelas elites corporativas, envenenados pelos médicos, drogados pelas farmacêuticas e engordados com rações rápidas. São ocupados por povos alienígenas, condenados – inocentes – pelos juízes e periodicamente enviados para morrer num deserto qualquer, do outro lado da galáxia, pelo Pentágono. São moralmente corrompidos pela ideologia de género e os valores satânicos de Hollywwod, deseducados e espoliados pelas universidades, roubados pelo Tio Samuel, empobrecidos pela Reserva Federal, chantageados pelos bancos e ludibriados pelos corretores.
Ainda assim, têm continuado, pacíficos e obedientes, com as suas vidinhas, como se nada fosse. Era agora por causa de alguém ter acertado um tiro em cheio na cabeçorra de Donald Trump que iam pegar em armas e escangalhar a tirania?
Não me entendam mal. A segunda guerra civil americana está em campo. Já desde os tempos de Barak Obama. Mas só tem uma frente armada: o Governo Federal e as suas máquinas industrial, financeira, militar e de propaganda. Do outro lado, não há exército, não há soldados, não há rebeldes. Só há civis inconscientes de tudo. Só há vítimas.
Farto-me de rir com os americanos.
Relacionados
31 Mar 25
São do aparelho. Defendem o aparelho. Até às últimas consequências.
Da mesma forma que não foi por autismo ou desvio subjectivo, mas por fanatismo militante, que trabalharam arduamente os propagandistas das tiranias do século XX, também os propagandistas de agora não laboram inconscientes do seu pecado.
25 Mar 25
Os tiranos da Covid não são vítimas. São criminosos.
Os “peritos” da Covid não foram vítimas do vírus. Escolheram a tirania não científica dos confinamentos, dos mandatos de vacinação e das regras mesquinhas e ineficazes, mas não tinham que o fazer. São criminosos e é assim que devem ser tratados. Uma crónica de Afonso Belisário.
20 Mar 25
Trump libera documentos secretos do caso JFK.
Não sejamos ingénuos ao ponto de esperarmos tirar revelações contundentes dos arquivos confidenciais, divulgados por ordem de Donald Trump, já que estiveram nas mãos do “deep state” norte-americano por mais de 60 anos. Uma crónica de Walter Biancardine.
19 Mar 25
Never Trump: uma bolha de nariz empinado.
Depois de ter lido "Tha Case for Trump", do professor Victor Davis Hanson, Lourenço Ribeiro escreve sobre essa tribo elitista de ditos conservadores norte-americanos que conseguem odiar mais Donald Trump do que os próprios democratas, se possível.
18 Mar 25
A república dos mortos-vivos.
O sr. Sousa esqueceu-se que os portugueses não votam num governo, mas na composição partidária da Assembleia da República, que pode ou não apresentar condições de governabilidade. E tomou a pior decisão possível, como era expectável.
18 Mar 25
Cristo Rei: Festa espiritual, nunca ferramenta ideológica.
Walter Biancardine desmonta nesta crónica o infame paper co-autorado por Judas B. Peterson, onde se argumenta descabidamente que a expressão "Cristo é Rei" resulta do extremismo político em vez da mais linear e canónica das convicções cristãs.