No monólogo de terça-feira, Tucker Carlson volta a insistir no carácter profundamente autoritário do Regime Biden e na fantochada orwelliana que os democratas têm levado ao deprimente palco da vida política americana, a propósito do 6 de Janeiro e com o intuito de ilegalizar não só o livre discurso como até o pensamento político dos cidadãos.
As mentiras repetidas sobre a “inssurreição” no Capitólio passaram a verdades, com polícias mortos que não morreram, conspirações golpistas que não existiram, perpetradas por terroristas que não eram, armados com armas que não traziam. Muitos desses “insurrectos” que levaram as famílias e tiraram despreocupadas fotografias para as redes sociais e vinham mascarados de vikings enquanto executavam o seu criminoso acto de desconfiarem que as eleições tinham sido forjadas, foram presos. Não por nada do que fizeram, mas pelo simples facto de pensarem que as eleições tinham sido forjadas. O pensamento errado, dá pena de prisão. É este o Novo Normal nos Estados Unidos da América.
E nessa novel normalidade só os democratas podem desacreditar o processo eleitoral. Como o ContraCultura já documentou, Hillary Clinton, um exemplo entre muitos, não faz outra coisa a não ser questionar a sua validade, tanto retrospectiva como prospectivamente: nunca aceitou os resultados das eleições de 2016 e não tem cessado de projectar suspeitas sobre as intercalares deste ano e as presidenciais de 2024. Apesar disso, é muito improvável que o Departamento de Justiça considere as suas declarações incendiárias como motivo para a perseguição draconiana que dedica aos cidadãos do outro lado do espectro político.
Tucker faz o que pode para explicar aos seus concidadãos que neste momento vivem sob o jugo de um regime tirânico, que propaga uma realidade alternativa dos factos, persegue a opinião, encarcera os dissidentes, instrumentaliza politicamente as agências de segurança, o sistema judicial, os meios de comunicação social e o capitalismo corporativo, de forma a controlar de forma totalitária a sociedade e as estruturas do poder. Percebe-se que o pundit da Fox News está, a cada dia que passa e perante os avanços ditatoriais do aparelho democrata, a entrar num processo de desespero de causa e nem surpreenderia que, um dia destes, fosse ele mesmo a apelar, em directo perante a sua imensa audiência, à insurreição generalizada.
Já estivemos mais longe deste cenário, que evoca a célebre sequência de “Network”, o provocador filme de Sidney Lumet, de 1976:
“Terra dos livres” e “casa dos bravos”? Nem uma coisa nem outra. Pelo que vimos durante a pandemia, os americanos do tempo presente são tão cobardes e obedientes como toda a gente. E a avaliar pelo livre curso do regime Biden, a liberdade abandonou há muito o código postal desta triste federação.
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