A Rússia apresentou na semana passada uma nova e concreta proposta de paz a Kiev, que prevê o reconhecimento das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, bem como das regiões de Kherson e Zaporozhye como territórios russos, a consolidação do estatuto de não-alinhado e livre de armas nucleares da Ucrânia, a sua desmilitarização e ‘desnazificação’ e o levantamento das sanções pelo bloco ocidental.
Os termos foram apresentados pelo presidente russo, Vladimir Putin, numa reunião com diplomatas seniores.
“Hoje estamos a fazer outra proposta de paz concreta e real”, disse o Presidente russo.
Putin passou a listar os termos da Rússia para um acordo.
“Assim que Kiev concordar com estas condições, concordar em retirar completamente as suas tropas das regiões DPR, LPR, Zaporozhye e Kherson e realmente lançar este processo, estaremos prontos para iniciar negociações sem demora. Repito, a nossa posição de princípio é a seguinte: o estatuto neutro, não alinhado e não nuclear da Ucrânia, a sua desmilitarização e desnazificação. Estes parâmetros foram geralmente acordados por todos durante as conversações de Istambul em 2022. Tudo estava claro em relação à desmilitarização, tudo estava explicado, incluindo o número de tanques, e tudo foi acordado. É claro que os direitos e liberdades dos cidadãos de língua russa na Ucrânia devem ser plenamente garantidos, as novas realidades territoriais e o estatuto da Crimeia, de Sebastopol, das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, as regiões de Kherson e Zaporozhye devem ser reconhecidas como círculos eleitorais russos. No futuro, todas estas disposições básicas e de princípio devem ser registadas em termos de acordos internacionais fundamentais”.
Todas as sanções ocidentais impostas à Rússia também deveriam ser abolidas. “É claro que isto também significa o levantamento de todas as sanções ocidentais contra a Rússia”, disse o presidente.
Putin enfatizou que o plano da Rússia significaria o fim do conflito de uma vez por todas, e não a sua cristalização.
“A essência da nossa proposta não é uma espécie de trégua temporária ou cessar fogo, como quer o Ocidente, a fim de restaurar as perdas, rearmar o regime de Kiev e prepará-lo para uma nova ofensiva. Repito, não estamos a falar de congelar o conflito, mas sim de pôr-lhe um fim”.
O líder russo acrescentou que se Kiev e os países ocidentais recusarem mais uma vez a oferta da Rússia, as condições de um futuro acordo tornar-se-ão mais rigorosas.
“Se Kiev e os países ocidentais recusarem, como antes, então, afinal, é sua a responsabilidade política e moral de continuar o derramamento de sangue. Obviamente, as realidades no terreno, na linha de compromisso, continuarão a mudar, e não a favor do regime de Kiev. As condições para o início das negociações vão mudar”.
Qualquer pessoa sensata percebe que aquilo que Putin pretende é perfeitamente razoável e que teimar na chacina do povo ucraniano apenas para manter na Ucrânia povos e territórios russos e alimentar as ambições imperialistas da NATO é, na verdade, uma posição, sobre todos os pontos de vista, indefensável.
Ainda assim, tanto o regime Zelensky como o bloco ocidental rejeitaram de pronto a proposta de paz do Kremlin.
No Ocidente, a diplomacia é uma arte em vias de extinção. E a paz, um anátema.
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