Os esforços da Alemanha para deportar mais imigrantes ilegais estão a enfrentar um obstáculo operacional e financeiro, uma vez que os números oficiais mostram que as partidas voluntárias superam agora as deportações executadas pelo Estado. Apesar dos gastos significativos, quase 9.000 tentativas de remoção falharam apenas nos primeiros seis meses do ano.

O peso financeiro destas operações é evidenciado por uma série de operações de deportação incrivelmente dispendiosas ou abortadas. Em Maio, um voo fretado de Leipzig para o Paquistão, transportando 33 pessoas sujeitas a deportação — escoltadas por 75 polícias federais — custou aproximadamente 518 mil euros.

A operação é agora considerada “o voo de deportação em grupo mais caro da história da Alemanha”, com financiamento fornecido pela Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, Frontex.

Em contrapartida, os contribuintes alemães absorveram directamente os custos de dois voos charter para o Afeganistão, em Abril e Junho, cada um ultrapassando os 300.000€. As operações para vários países africanos, incluindo a Nigéria, atingiram regularmente 400.000 euros por voo com o apoio da Frontex, enquanto outros 5,93 milhões de euros foram atribuídos ao pessoal de segurança para repatriamentos.

Por outras palavras, mesmo os esforços de deportação em pequena escala estão a conduzir a custos exorbitantes. O número de deportações também está a diminuir, de acordo com dados governamentais divulgados após uma investigação parlamentar do Partido Die Linke (‘A Esquerda’). O relatório revela que as autoridades federais executaram 9.663 deportações entre Janeiro e Junho, uma queda de 18,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Durante esse mesmo ciclo, quase 9.000 deportações planeadas acabaram por não se concretizar.

Embora as deportações impostas pelo Estado possam estar a diminuir, cada vez mais migrantes parecem dispostos a abandonar o país por vontade própria. As autoridades fronteiriças confirmaram que 17.892 pessoas obrigadas a abandonar o país saíram por conta própria, sendo que aproximadamente 9.300 delas beneficiaram de assistência financeira federal para o fazer, facto que tem levantado também acesa polémica na Alemanha. O caso do pagamento de 6.000 euros a islamitas considerados perigosos para abandonarem o país é a este título paradigmático.

 

 

Apesar destas saídas, a acumulação de casos de deportação na Alemanha continua a ser enorme. Em meados do ano, cerca de 259.000 estrangeiros obrigados a abandonar o país ainda permaneciam na Alemanha. Deste grupo, 77% obtiveram a suspensão temporária da deportação e pouco mais de 60% eram pessoas cujos pedidos de asilo tinham sido formalmente rejeitados.

Mesmo depois de os casos terem sido entregues à Polícia Federal Alemã, as deportações foram interrompidas por questões administrativas e até por resistência física. Das 734 deportações canceladas durante esta fase final, “130 deveram-se a actos de resistência e, em 56 casos, houve problemas de saúde”.

Ao mesmo tempo, muitos pilotos parecem estar a recusar-se a transportar migrantes com data de deportação marcada. Durante o primeiro semestre do ano, os pilotos recusaram o embarque de pessoas com deportação programada em 280 casos, um aumento considerável, dado que, ao longo de todo o ano de 2025, foram registadas 514 recusas no total. Os registos oficiais não indicam os motivos específicos pelos quais os pilotos se recusam a realizar estes repatriamentos. É possível especular que em certos casos se tratará de uma decisão relacionada com a segurança da aeronave e dos seus passageiros, mas haverá certamente pilotos que recusam o transporte de imigrantes deportados por razões puramente ideológicas.

Para garantir o cumprimento das ordens durante o transporte, a polícia utilizou a contenção física em 786 casos, sendo estas medidas utilizadas “com particular frequência durante os repatriamentos para a Argélia, Marrocos e Nigéria”.

A Alemanha está também a assistir a um êxodo crescente dos seus cidadãos nativos, com novos dados da DeStatis a mostrarem que mais de 93.000 alemães abandonaram o país apenas nos primeiros quatro meses de 2025.