A decisão do Irão de aderir ao Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS sinaliza um esforço crescente entre as economias emergentes para reduzir a dependência do dólar norte-americano.

 

O Irão está prestes a aderir ao Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) dos BRICS, de acordo com o governador do banco central iraniano. Fundado em 2015 pelo grupo de nações BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o NBD concentra-se no “financiamento de projectos infraestruturais e desenvolvimento sustentável”.

Abdolnaser Hemmati, governador do banco central do Irão, anunciou a decisão antes de uma reunião dos BRICS na Índia. O evento será o primeiro encontro de ministros das finanças e governadores de bancos dos países do bloco. O Irão é membro dos BRICS desde 2014 e há muito que manifesta interesse em tornar-se membro e acionista do NBD. Outros membros do NDB incluem os Emirados Árabes Unidos (EAU) e o Egipto. O NDB ajuda também a facilitar acordos comerciais entre os países membros e a processar transacções financeiras em moedas nacionais para reduzir a dependência do dólar norte-americano.

Hemmati afirmou a este propósito:

“O resultado mais importante da cooperação entre os países membros dos BRICS é o estabelecimento do Novo Banco de Desenvolvimento, e o nosso país vai tornar-se em breve membro deste banco”.

Esta decisão faz parte de um esforço mais amplo direccionado à consolidação de uma ordem económica multipolar e está alinhada com o objectivo dos BRICS de reduzir a dependência do dólar norte-americano. A adesão do Irão pode proporcionar canais financeiros alternativos, enquanto o país continua a operar sob sanções impostas pelos Estados Unidos no contexto da guerra em curso com o Irão.

Esta medida mostra também como o Irão se está a alinhar com a China e a Rússia economicamente, e não apenas militar e politicamente.

Em 2025, o presidente Donald J. Trump ameaçou impor uma tarifa adicional de 10% aos países que colaborassem com o grupo BRICS, afirmando:

“Qualquer país que esteja alinhado com as políticas anti-americanas dos BRICS será taxado com uma tarifa ADICIONAL de 10%. Não haverá excepções a esta política.”

A decisão não parece ter tido impactos significativos nas exportações destes países, mas impactou duramente os consumidores americanos, ávidos consumidores de produtos chineses.

A Turquia, membro da NATO, apresentou o seu pedido de adesão à aliança BRICS em 2024, tendo sido a candidatura recusada pelo bloco, que propôs a Istambul um estatuto de “país parceiro”. Seja como for, a iniciativa, para além de ser extremamente embaraçosa para a União Europeia e a Aliança Atlântica, é sintomática da perda de influência dos EUA no palco mundial.