O Irão lançou uma onda de mísseis balísticos após um ataque norte-americano contra forças da Guarda Revolucionária Islâmica.

 

O Irão reagiu ao presidente Donald J. Trump depois de este ter publicado um vídeo gerado por inteligência artificial que mostra a Ilha de Kharg, no Irão, a ser “destruída”, e após ataques reais das forças norte-americanas contra posições da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) na Ilha de Larak.

Teerão respondeu aos ataques em Larak e ao humor negro do inquilino da Casa Branca lançando mísseis balísticos contra as bases aéreas Rei Hussein e Al-Azraq, na Jordânia, e dezenas de drones em direcção à Base Aérea de Al-Minhad, nos Emirados Árabes Unidos.

A Ilha de Kharg é o maior terminal de exportação de petróleo bruto do Irão e lida com a grande maioria das exportações marítimas de petróleo bruto da República Islâmica, tornando-se um dos activos económicos mais importantes de Teerão e um potencial ponto de pressão na guerra.

 

 

O retomar dos combates ocorre no contexto de um alargar da frente de guerra por parte dos EUA, que lançaram na semana passada uma ofensiva económica de sanções indirectas que pretende isolar o Irão, impedindo as trocas comerciais da República Islâmica com o estrangeiro.

A administração Trump tentou atingir as redes petrolíferas iranianas que contornam as sanções, impondo custos económicos a Teerão, além de exigir, risivelmente, reparações pelas baixas americanas no conflito, contrariando exigências semelhantes do Irão, não tão risíveis porque se trata do país que foi atacado primeiro.

Apesar das últimas trocas de acusações e de mísseis, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerão continua interessado numa resolução negociada.

A importância da Ilha de Kharg significa que qualquer ataque real à sua infra-estrutura petrolífera poderá ter consequências muito para além do Golfo Pérsico, restringindo potencialmente a oferta global de crude e aumentando ainda mais a pressão sobre os mercados energéticos, já de si à beira de um ataque de nervos.

O retomar das hostilidades entre os EUA e o Irão aumentam também o risco de o conflito destruir por completo as instalações militares americanas e as infraestruturas energéticas aliadas em todo o Golfo.