A instalação não anunciada de imigrantes em Thetford, Inglaterra, pelo governo britânico, provocou protestos, resultando numa resposta policial e detenções dos residentes.

 

Os protestos eclodiram na vila mercantil em Norfolk, depois de imigrantes terem sido instalados em habitações gratuitas sem aviso prévio aos residentes locais.

Os protestos duraram várias noites e resultaram em danos materiais, confrontos com a polícia e a detenção de cinco pessoas. As acusações incluíam crimes contra a ordem pública e suspeita de ódio racial. Os protestos começaram na terça-feira, após a revelação de que uma propriedade num condomínio residencial perto de uma escola primária tinha sido convertida numa casa de ocupação múltipla (HMO, na sigla em inglês) para imigrantes ilegais.

Uma HMO é uma casa ocupada por pelo menos três pessoas que não são da mesma família ou agregado familiar, mas partilham instalações básicas. O facto coincidiu com a notícia de que o governo britânico pretendia utilizar uma base militar próxima para abrigar 3.750 migrantes.

Em resposta aos protestos, a polícia escoltou cinco homens encapuçados para fora da propriedade. O comportamento da polícia foi criticado como excessivamente agressivo, enquanto as autoridades rejeitaram esta caracterização, afirmando que a sua resposta era necessária para manter a ordem.

O vereador local da Reform UK, Scott Hussey, afirmou a este propósito:

“Houve algumas escaramuças, foi um protesto animado, mas não vi qualquer violência… Apoiamos totalmente o direito dos residentes ao protesto. Encorajaria as pessoas a protestarem pacificamente e a maior parte do que vi ontem foi pacífico”.

Colin Sutton, Comissário da Polícia de Norfolk, também criticou as políticas de alojamento de imigrantes do governo britânico:

“Não sei o que as pessoas no governo realmente esperam. Se colocarem estes imigrantes ilegais em casas no meio de bairros residenciais, perto de escolas, ao lado de outras pessoas, em comunidades que não têm absolutamente nenhuma voz sobre isto, então acho que é uma expectativa bastante razoável que as pessoas de lá não fiquem felizes e queiram protestar. O facto é que estamos a receber milhares destas pessoas por semana em pequenos barcos e estamos a ficar sem sítios para as colocar.” 

Os recentes distúrbios realçam a crescente frustração pública com as políticas de acolhimento de imigrantes do governo britânico. Este é apenas um dos vários protestos deste tipo que ocorreram um pouco por todo o país. O facto de os migrantes terem de ser escoltados para fora do edifício sublinha a dimensão da indignação pública. A revelação de que a decisão não foi anunciada sugere que o governo está consciente de que as suas políticas de alocação são impopulares, mas não pode ou não quer alterá-las, demonstrando inadvertidamente a extensão do problema migratório que o país tem vivido nos últimos anos.

Noutro caso similar, os residentes de Stoke Heath, uma vila em Shropshire, protestaram contra os planos para acolher cerca de 83 requerentes de asilo e as suas famílias em 21 casas recém-construídas, originalmente destinadas a habitação pública para os nativos.

Por seu lado, os residentes de Piddington, em Oxfordshire, planeiam realizar um referendo sobre a secessão do Reino Unido, em protesto contra a decisão do Ministério do Interior de abrigar mais de 1.200 requerentes de asilo num antigo quartel do exército próximo.

Preocupações semelhantes foram levantadas noutros campos de refugiados propostos, como os da base da Royal Air Force (RAF) perto de Linton-on-Ouse e da RAF Barnham, reflectindo a ampla oposição pública à transferência em larga escala de migrantes para comunidades rurais.

O plano de empurrar imigrantes e residentes de asilo para fora das grandes cidades inglesas não é novo. Logo que o governo trabalhista chegou ao poder executivo no Reino Unido, em 2024, surgiram planos para distribuir migrantes por toda a Grã-Bretanha, ameaçando os equilíbrios demográficos e a paz social das zonas rurais. Na Irlanda, a resposta do Governo para a crise migratória é também a deslocação de um número crescente de recém-chegados para pequenas comunidades a província – quer os habitantes locais concordem ou não.

Já este ano, o governo trabalhista tornou públicos planos para remodelar o countryside britânico, de forma a torná-lo mais “diverso”, no contexto de políticas que visam humilhar e substituir a população nativa e branca no Reino Unido.

O sistema judicial de dois critérios do Reino Unido esmaga os nativos enquanto protege os criminosos imigrantes, e um cidadão que protestou contra abusos sexuais sobre uma rapariga de 14 anos foi condenado a uma pena de prisão maior do que o imigrante que cometeu o crime.