A alegada compra de sistemas de mísseis fabricados na China pelo Irão pode aumentar as tensões entre Washington e Pequim.
O Irão terá fechado um acordo para comprar entre 300 e 400 sistemas de mísseis antiaéreos portáteis de fabrico chinês para reconstruir as suas capacidades de defesa aérea, que foram debilitadas, em parte, após meses de ataques americanos e israelitas. O contrato, avaliado entre 60 e 70 milhões de dólares, segundo três fontes que falaram à Reuters, inclui os sistemas de defesa aérea portáteis QW-12 e FN-16 (MANPADS), com a primeira remessa prevista para chegar dentro de algumas semanas, embora alguns detalhes da entrega ainda estejam sujeitos a alterações. A compra representa o maior esforço conhecido do Irão para reforçar as suas defesas aéreas de curto alcance desde o início do conflito.
O acordo terá sido intermediado pela Zhongqing Baoshang International Investment, com sede em Hong Kong, e os primeiros carregamentos deveriam partir de Urumqi, no oeste da China, e transitar pelo Paquistão antes de chegar ao Irão. No entanto, o Paquistão negou qualquer envolvimento, com as forças armadas do país a classificarem as notícias que o ligam à transferência como “absolutamente inventadas e falsas”. A China também rejeitou as alegações, com um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros a descrever as notícias como “completamente infundadas” e a afirmar que Pequim tem procurado promover a paz e pôr fim ao conflito.
A alegada aquisição sublinha o foco do Irão no reforço das suas defesas aéreas de curto alcance e levanta questões sobre o papel da China nas vendas globais de armas e a sua estratégia para contornar o escrutínio internacional através de intermediários e rotas de transporte alternativas.
O Irão investiu fortemente em drones, mísseis balísticos e sistemas de radar nas últimas duas décadas e como resultado desse esforço tem resistido à ofensiva norte-americana no Golfo, provocando danos severos nas bases militares americanas da região e também em Israel, enquanto manterá ainda vastos arsenais em estruturas subterrâneas difíceis de atingir pelo inimigo.
No fim de Julho, Donald Trump ameaçou a China e a Rússia, afirmando que estava convicto de que estes países não estavam a vendar armas ao Irão mas que, caso estivessem, isso iria ser “muito mau para eles”. Na semana passada, decretou guerra económica a qualquer país que se relacione comercialmente com o Irão. Mas a China não parece inclinada a ceder à ameaça, mesmo quando nega a venda de armas ao Irão.
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