Tudo indica que John Ratcliffe, o director da agência que mais hostiliza a Rússia em todo o governo federal americano, deslocou-se ao Kremlin para ameaçar as autoridades locais, alertando que os EUA irão reagir se Moscovo atacar algum país da NATO.

 

O Wall Street Journal revelou no final da tarde de quarta-feira o motivo da visita surpresa do director da CIA, John Ratcliffe, a Moscovo na quarta-feira, onde se reuniu com altos líderes dos serviços de informação do Kremlin. Aparentemente, o objecivo da visita terá sido o de alertar contra ataques a países da NATO, segundo refere o jornal:

“A visita surpresa do diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) a Moscovo esta semana teve como objectivo alertar a Rússia para não atacar países da NATO, de acordo com pessoas informadas sobre a visita.”

Esta foi a primeira visita pública de John Ratcliffe à capital russa, e aconteceu após novas avaliações dos serviços de informação dos EUA de que o presidente russo, Vladimir Putin, poderia tentar testar a determinação da aliança atlântica com um ataque limitado a um país membro a curto ou médio prazo.

As autoridades norte-americanas temem que Putin, respondendo às constantes declarações provocatórias de dirigentes políticos e militares do bloco EUA/UE e ao envolvimento cada vez mais agressivo dos países europeus na guerra da Ucrânia e nos ataques ucranianos em território russo, que são feitos com armas e navegação ocidentais, possa lançar um ataque convencional ou assimétrico contra um país báltico.

Segundo uma nota oficial emitida pelo Kremlin, Ratcliffe foi recebido por homólogos dos serviços de inteligência russos, mas não por Vladimir Putin.

 

 

Alguns analistas sugerem que uma nação báltica mais frágil, como a Estónia, que há muito emite declarações altamente hostis a Moscovo, poderá sofrer algum tipo de ataque limitado.

A reportagem do WSJ sugere ainda que Putin poderá estar pronto para explorar a fragilidade do fornecimento de munições da NATO, dado o esgotamento dos stocks em plena guerra com o Irão e após mais de quatro anos de fornecimento constante à Ucrânia:

“A escassez de munições ocidentais críticas, impulsionada pelos gastos com a guerra com o Irão, também pode influenciar o raciocínio de Putin. Os EUA reduziram o seu stock de certas armas devido às transferências para a Ucrânia após a invasão russa de 2022, bem como ao conflito com o Irão.”

Permanece porém o facto de que, durante anos, as autoridades ocidentais emitiram declarações alarmistas, alegando que a Rússia quer, de alguma forma, invadir ou tomar o controlo de partes da Europa para além do território ucraniano, mas até agora não houve qualquer acção nesse sentido, nem qualquer evidência de tal intenção. Mesmo apesar dos constantes esticões à corda da guerra que o bloco ocidental insiste em promover.

E há quem ponha em causa a narrativa do WSJ, já que a Casa Branca terá uma linha directa para o Kremlin e Trump pode falar com Putin sobre este assunto, sem que a presença pessoal – e bizarra – de Ratcliffe em Moscovo seja necessária.

 

 

Após a estranha e desavergonhada visita do Director da CIA a Moscovo, a Bloomberg afirmou entretanto que o Kremlin se está a preparar para uma grande escalada contra a Ucrânia:

“A Rússia prepara-se para intensificar os ataques contra a Ucrânia depois de ter concluído que as negociações para um acordo de paz chegaram a um impasse, de acordo com três pessoas próximas do Kremlin. Para já, a Rússia está a avaliar uma intensificação dos poderosos ataques com mísseis balísticos convencionais contra Kiev, incluindo o centro da capital, e infraestruturas noutras cidades ucranianas, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas porque o assunto é sensível.”

Este pode também ter sido o motivo para as misteriosas conversações de duas horas que ocorreram entre Ratcliffe e os responsáveis pelos serviços secretos russos.

Seja como for, é simplesmente espantoso que o actual director da CIA seja recebido em Moscovo. John Ratcliffe será o principal responsável pela actual posição claramente pró-ucraniana da Casa Branca e é um russofóbico empedernido, associando abertamente os esforços da guerra assimétrica ucraniana ao seu mandato como director da CIA, e gabando-se de tantos russos que está a matar, e de como morrem rapidamente no teatro das operações.

Mais a mais, a CIA está profundamente envolvida nos ataques ao interior do território russo e há muito boa gente que acusa a agência de Langley de ter participado activamente na mais recente tentativa de assassinato de Vladimir Putin, quando em Dezembro de 2025 uma esquadrilha de drones ucranianos visou a residência do presidente russo em Novgorod/Valdai.