Um implante ocular que pode ajudar as pessoas cegas a voltar a ver está prestes a chegar ao mercado europeu. Mas a tecnologia ainda está por aperfeiçoar e, dado o preço, é acessível apenas a alguns privilegiados.

 

Na semana passada, a Science Corporation, com sede nos EUA, anunciou que recebeu a aprovação da União Europeia para tratar doentes com o seu dispositivo ocular biónico restaurador da visão, chamado Prima, num grande passo em direcção à comercialização da tecnologia.

O dispositivo foi concebido para tratar a degeneração macular avançada, uma condição ocular que causa a perda da visão central. É a principal causa de perda de visão em adultos mais velhos, sendo que as formas mais graves da doença representam quase 90% dos casos de cegueira.

Para restaurar a visão, o dispositivo Prima utiliza um chip sem fios implantado cirurgicamente sob a retina. Este chip liga-se a um par de óculos com câmara, que transmitem vídeo sob a forma de luz infravermelha. O chip converte estes sinais em impulsos eléctricos interpretados pelo cérebro.

A Science Corp publicou os resultados de um ensaio clínico preliminar no final de 2024, demonstrando que os doentes que utilizaram o dispositivo conseguiram voltar a reconhecer rostos e até ler livros.

O CEO da Science Corporatiom, Max Hodak, disse à imprensa: 

“Um dos nossos pacientes em França terminou um romance de 300 páginas há pouco tempo e enviou-nos o livro. Temos um desenho na parede da Ópera de Sydney feito por um dos nossos pacientes. Há vídeos de pacientes a jogar palavras cruzadas e a resolver Sudoku.”

Mas Hodak — que co-fundou a Neuralink com Elon Musk antes de sair para fundar a Science Corp — foi sincero ao admitir que a sua tecnologia ainda tem muito espaço para melhorias:

“Esta é uma versão inicial. É como olhar através de uma palhinha no centro da visão. Mas temos provas contundentes de que estamos no caminho certo. No futuro, vamos chegar a uma percepção das cores muito próxima da acuidade visual nativa.”

Cada dispositivo Prima deverá custar centenas de milhares de dólares, mas a Science Corp afirma estar a trabalhar com prestadores de cuidados de saúde para cobrir parte do custo, segundo o TechCrunch. É muito provável que o tratamento dos doentes comece primeiro na Alemanha, onde foram realizados os ensaios clínicos.

Esta não é a única empresa a investir neste sector. A Neuralink também está a trabalhar num implante de visão – o Blindsight-, mas ainda não iniciou os testes em humanos.