O Presidente norte-americano Donald J. Trump anunciou uma ofensiva económica contra o Irão, alertando os países e as empresas que continuam a apoiar Teerão de que podem enfrentar graves consequências económicas. Numa publicação no Truth Social, Trump acusou a República Islâmica de rejeitar repetidamente oportunidades de negociação e declarou que Washington irá agora perseguir a campanha económica mais agressiva alguma vez imposta contra um país.
Todas as iniciativas que Trump anuncia são sempre as “mais agressivas”, as “maiores na história” e etc. Mas os resultados são regra geral miseráveis, ou recordistas no sentido inverso, como acontece agora no Golfo Pérsico.
Trump disse que as medidas visam paralisar a capacidade do Irão de “financiar o terrorismo” e alertou os governos estrangeiros, instituições financeiras, empresas e outras entidades contra o fornecimento de qualquer apoio financeiro ou logístico ao regime.
O anúncio surge numa altura em que tanto o Irão como os EUA enfrentam sérios problemas financeiros. A dívida pública norte-americana ascendeu aos 40 triliões de dólares, e os juros correspondentes custam agora à tesouraria do governo federal mais do que aquilo que gasta anualmente com o Departamento da Guerra, o que não é dizer pouco. Por seu lado, em Teerão, as autoridades procuram sobreviver à desvalorização dramática da moeda iraniana, com a taxa de câmbio no mercado paralelo a atingir cerca de 1.374.600 riais por dólar norte-americano, em comparação com cerca de 9.200 riais por dólar em 2006. O Irão mantém uma taxa de câmbio oficial de cerca de 42.000 riais por dólar, mas a taxa de mercado paralelo reflecte com maior rigor a gravidade do colapso da moeda.
No anúncio desta nova ofensiva, Trump escreveu no Truth Social:
“QUALQUER país que permita às suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais prestar qualquer tipo de apoio financeiro ao Irão, enfrentará consequências económicas TREMENDAS. Contrabando de petróleo, linhas de troca, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registos de navios, empresas de fachada — tudo isto tem de parar JÁ. Vocês sabem quem são. Este será um DIA D ECONÓMICO, e precisamos que todos os nossos aliados se juntem aos Estados Unidos da América para isolar e derrotar a ameaça iraniana.”
O anúncio intensifica a campanha da administração Trump para isolar economicamente o Irão, colocando pressão adicional sobre a já fragilizada economia de Teerão. Se mais governos e empresas estrangeiras cortarem o apoio da República Islâmica, esta poderá enfrentar maiores dificuldades para financiar as suas forças armadas e redes regionais de apoio, mantendo ao mesmo tempo as suas operações de evasão às sanções.
Há porém nesta iniciativa a intenção clara de impedir o envolvimento da China no conflito do Golfo Pérsico. O Irão tem dependido cada vez mais das redes internacionais para contornar as sanções dos EUA, com Beijing a desempenhar um papel importante na compra de crude iraniano e na movimentação de pagamentos através de empresas de fachada. Entre os países visados, encontramos também os Emirados Árabes Unidos (EAU), Malásia, Singapura, Rússia, Turquia, Venezuela, Panamá e Camarões, que facilitam as exportações de petróleo, as transferências financeiras, os acordos comerciais e a movimentação de bens e ouro.
A ver vamos se a ideia resulta. E se Trump tem a paciência necessária para uma guerra de atrito, como são todos os conflitos económicos.
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