A Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos foi exaurida ao longo da guerra com o Irão, atingindo o seu nível mais baixo em 40 anos e aumentando as preocupações com  potenciais danos nas infraestruturas que armazenam o crude.

 

Na segunda-feira, foi revelado que a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA (SPR, na sigla em inglês) caiu para menos de 300 milhões de barris devido aos contínuos resgates resultantes da guerra com o Irão, que começou no final de Fevereiro.

O esgotamento da SPR contribuiu para os preços recorde da gasolina em meados de Agosto, com a média nos Estados Unidos a atingir os 4,07 dólares por galão, de acordo com a AAA Gas Prices.

A SPR foi inicialmente concebida para suportar cinco esgotamentos completos ao longo da sua vida útil, mas passou por inúmeros ciclos nos últimos 40 anos. O petróleo bruto está armazenado em 60 grutas de sal distribuídas por quatro locais no Texas e em Louisiana. O petróleo é extraído através do bombeamento de água para dentro das grutas, de forma a forçar a sua ascensão até aos tubos de entrada. No entanto, o processo aumenta o risco de colapso, uma vez que a água dissolve e desgasta as paredes de sal das grutas, especialmente quando a relação água/petróleo ultrapassa um determinado limite. Alguns especialistas sugeriram que as retiradas contínuas podem resultar em danos permanentes.

Siddharth Misra, professor de Engenharia de Petróleos na Universidade Texas A&M fez eco destas preocupações ao advertir que os EUA estão a operar à beira do limite técnico das reservas:

“O limite operacional prático para o stock de crude situa-se entre 250 milhões e 300 milhões de barris.”

Por seu lado, Ben Dietderich, porta-voz do Departamento de Energia, tentou atenuar cenários mais negros com um detalhe técnico:

“As grutas estão sempre cheias. Tudo o que muda é a proporção de petróleo e água que as enche.” 

O esgotamento da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA (SPR) levanta porém legítimas dúvidas sobre a eficácia e abundância energética dos Estados Unidos quando forem confrontados com futuras emergências ou confrontos bélicos com potências rivais.

Entretanto, na União Europeia, relatórios do início do ano sugerem que os países estão a acumular reservas de petróleo em resposta aos riscos energéticos que se adivinham no curto prazo. Apostolos Tzitzikosta, Comissário dos Transportes do bloco, afirmou em Maio a este propósito:

“Se a guerra com o Irão não terminar nas próximas semanas e não houver a reabertura do Estreito de Ormuz, temo que uma recessão mundial possa estar a caminho.”

O que é estranho é ainda não a termos encontrado, neste caminho.