Fazendo recurso aos seus característicos recursos retóricos, o Presidente dos Estados Unidos fez uma contundente advertência ao Omã, após o fim oficial da trégua entre os EUA e o Irão.

 

Donald J. Trump ameaçou, na segunda-feira, bombardear o Omã caso o país do Golfo interfira nos esforços dos EUA para garantir o controlo do Estreito de Ormuz e negociar um acordo de paz favorável com o Irão. Em entrevista a Trey Yingst, Trump foi questionado sobre as negociações paralelas entre Omã e o Irão a respeito da via navegável estratégica, que transporta grande parte das exportações mundiais de petróleo, e respondeu que, se Omã “atrapalhar”, os Estados Unidos “bombardearão a merda do país até mais não”.

 

 

Os comentários surgem numa altura em que o Omã e o Irão estão perto de um acordo sobre a gestão do Estreito de Ormuz, que as duas nações comungam, num acordo que poderá limitar a influência dos EUA sobre a vital rota de trânsito de energia, ao mesmo tempo que daria a Teerão (ainda) maior poder negocial no seu impasse com a administração Trump.

As declarações do presidente norte-americano ocorreram após o termo do prazo de 60 dias estabelecido num memorando de entendimento de Junho entre os Estados Unidos e o Irão, que foi entretanto tecnicamente falido pela recusa de Israel cessar o fogo que faz recorrentemente sobre o Líbano, ao que se seguiu um novo ciclo de troca de agressões balísticas entre as forças do Pentágono e Teerão.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão afirmou na segunda-feira que o prazo do memorando era “irrelevante”, alegando que as negociações nunca começaram porque Telavive e Washington retomaram as hostilidades durante o período de tréguas.

Os rudes avisos de Trump a Omã podem complicar ainda mais a diplomacia, tanto como a situação militar na região, afectando os mercados petrolíferos globais e as relações regionais. Os EUA indicaram que vão manter o bloqueio naval ao Irão por tempo indeterminado, com Trump a sugerir na sexta-feira que

“Depois de terminarmos de derrotar o Irão, que está a ser derrotado de forma muito severa, em breve declararei o Estreito de Ormuz um território dos Estados Unidos.”

Sim, é verdade. O homem disse mesmo isto sem se desmanchar a rir no processo.

 

 

De qualquer forma, a aparente predisposição de Donald Trump para abrir uma nova frente de guerra no Golfo Pérsico é capaz de não encontrar no Pentágono entusiástico empenhamento, considerando a humilhação que as forças militares americanas já estão a sofrer na região, o seu arsenal deficitário, o nível crítico das reservas de petróleo dos EUA e o moral das tropas, que parece situar-se neste momento abaixo do zero.