No fim da semana passada ficámos a saber que Anthony Fauci se recusou a conceder uma entrevista transcrita, à porta fechada, a uma subcomissão do senado norte-americano. Na mesma semana, um antigo correspondente da ABC News revelou que a estação suprimiu uma investigação sobre a fuga de amostras num laboratório de Wuhan em 2021, depois de o guião ter sido enviado para Fauci para revisão.
O padrão é inconfundível. Obstrução. Censura. Invocação de privilégio. Repetição.
Na sexta-feira, o advogado de Fauci notificou o Senador Ron Johnson (R-WI) de que o antigo director do NIAID não iria comparecer a uma entrevista transcrita, a realizar à porta fechada, no âmbito da investigação em curso sobre a resposta falhada do governo federal norte-americano à COVID-19.
Johnson, que já tinha divulgado as mensagens de texto em que Fauci revelava preocupações, que nunca tornou públicas, sobre abortos espontâneos provocados pelas vacinas mRNA contra a Covid-19, não gostou da recusa:
“O advogado do Dr. Fauci acaba de nos informar que ele se recusa a comparecer para uma entrevista privada transcrita. O povo americano merece respostas para perguntas legítimas sobre a nossa resposta desastrosa à COVID-19. Algumas dessas perguntas só podem ser respondidas pelo Dr. Fauci. Ele afirmou uma vez, com arrogância, que estava ‘muito feliz por testemunhar perante qualquer comissão de supervisão do Congresso’ e que não tinha nada a esconder. Aparentemente, tem muito a esconder. Uma vez que Fauci se recusa a falar sobre o seu papel e as suas decisões relacionadas com a COVID-19, a minha Subcomissão continuará a obter os seus registos e a solicitar o contacto com pessoas-chave com quem ele trabalhou.”
🚨 WTF?! Dr. Fauci has just REFUSED to show up for a private transcribed interview with Sen. Ron Johnson as part of his investigation
Subpoena and CONTEMPT, ASAP!
Haul the traitor in and charge him if he doesn’t comply.
JOHNSON: “Apparently, he has a lot to hide. Since Fauci… pic.twitter.com/FLxU7wEQOM
— Eric Daugherty (@EricLDaugh) August 15, 2026
Isto acontece dias depois de a Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado ter votado para considerar Fauci em desobediência ao Congresso pelo seu infame comportamento a 29 de Julho, quando numa audiência pública invocou a Quinta Emenda 112 vezes.
O advogado de Fauci respondeu ao pedido de Johnson alegando que qualquer tentativa de o obrigar a comparecer seria “assediar ou degradar indevidamente o Dr. Fauci para fins políticos”.
O processo de desobediência ao Congresso já está a caminho do Departamento de Justiça. O senador Rand Paul argumentou que o perdão preventivo concedido por Biden removeu qualquer base legítima para a invocação da Quinta Emenda, deixando Fauci sem proteção contra a obrigação de responder a inquéritos sobre a sua conduta criminosa.
No entretanto, uma bomba surgiu de dentro da própria máquina de propaganda que um dia o apoiou e que ele, aparentemente, dominava.
O antigo correspondente nacional sénior da ABC News, Terry Moran, em declarações no podcast The Fifth Column, descreveu o que aconteceu à sua investigação do programa Nightline, no início de 2021, sobre a teoria da fuga do vírus Covid do laboratório de Wuhan.
Moran disse que a reportagem examinou as provas de que o Instituto de Virologia de Wuhan tinha recebido financiamento militar chinês — algo que a “Dama dos Morcegos” (Bat Lady) do laboratório, Shi Zhengli, tinha negado. O jornalista e a sua equipa apresentaram sólidos argumentos e provas circunstanciais em favor da sua teoria.
Depois veio a revisão do censor em chefe, Anthony Fauci, segundo Moran:
“No dia em que deveria ir para o ar, foi ‘revisto’. Voltou para mim… Disseram-me: FAUCI.”
Acrescentou que ficou “absolutamente furioso” quando o produto final foi emitido numa versão censurada que era “incompreensível” , repleta de reservas e linguagem jurídica que esvaziava o significado do trabalho original.
“Nunca mais vi aquela reportagem e nunca mais a quero ver. Porque não era minha e, principalmente, porque era incompreensível.”
Disseram-lhe que o guião tinha sido encaminhado para advogados, órgãos reguladores — e para Fauci.
Moran não é propriamente um activista conservador. É um jornalista veterano, liberal, de uma grande estação de televisão de canal aberto norte-americana. O seu relato contradiz directamente anos de insistência dos media de que qualquer inquérito sobre o laboratório de Wuhan resultava de teorias da conspiração marginais, enquanto Fauci e os seus aliados trabalhavam para as silenciar.
🚨 BOMBSHELL: It was just exposed that ABC CENSORED the COVID Wuhan lab leak report in 2021 because Dr. Fauci told them not to publish it
Terry Moran: “The day it was supposed to air, it gets ‘reviewed.’ It comes back to me…I was told: FAUCI.”
ABC is COMPLICIT, and Fauci… pic.twitter.com/ZhO8eOuLcm
— Eric Daugherty (@EricLDaugh) August 15, 2026
Estas últimas recusas e revelações vêm juntar-se a uma montanha de provas anteriores já documentadas.
Mensagens secretas recuperadas do iPhone governamental de Fauci mostraram que, em Janeiro de 2021, o burocrata alertou em privado que a segunda dose da vacina contra a COVID-19 “teoricamente poderia estar associada a aborto espontâneo no primeiro trimestre”. Publicamente, ele e outros funcionários da saúde pública dos EUA promoveram a vacinação das grávidas sem tais reservas.
E-mails divulgados anteriormente pelo senador Rand Paul mostraram que Fauci instruiu o então director do NIH, Francis Collins, para “ler e depois destruir” mensagens que lhe enviava sobre a pandemia – em clara violação da lei federal de registos.
Na própria audiência de 29 de Julho, Fauci fez uma declaração inicial acusando Paul de uma “obsessão desequilibrada” e, em seguida, recusou-se a responder a quase todas as perguntas de que foi alvo. Analistas jurídicos referiram que as 112 alegações da Quinta Emenda provavelmente pioraram a sua situação, dado que o perdão removeu o risco de condenação criminal e deixou-o exposto a uma acusação de desobediência ao Congresso.
Fauci foi instrumental nos confinamentos e no encerramento de escolas, na destruição de empresas, na censura de informação crucial sobre as origens da pandemia e a natureza das vacinas, e na repressão da dissidência, enquanto se preocupava em privado com riscos que não reconhecia publicamente.
Agora, continua a recusar-se a responder a perguntas básicas sob juramento ou em entrevistas transcritas, enquanto até os jornalistas que na altura o veneravam como uma espécie de semi-deus da ciência confirmam agora que o trabalho jornalístico lhe era encaminhado previamente para aprovação.
A subcomissão de Johnson afirma que continuará a procurar novos registos e testemunhas sobre o comportamento criminoso de Fauci e o procurador-geral da Flórida iniciou uma investigação sobre as suas acções durante a pandemia, uma vez que o perdão que recebeu de Joe Biden abrange apenas crimes federais, pelo que o infame médico pode ser responsabilizado judicialmente nos tribunais estaduais.
O caso de desobediência ao Congresso está agora sob a responsabilidade do Departamento de Justiça do Regime Trump, e é improvável que seja levado aos tribunais. E o procurador da Flórida pode estar a fazer teatro político apenas.
Mas é inegável que, se Fauci desfrutou de anos de poder inigualável e de deferência mediática, esse tempo acabou.
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