Que escuridão temem os meus olhos,
que fim da luz, que raio de treva
cega a estrela, que zarolhos
observam a nudez de Minerva?
Ah, que a Lua passe a planeta,
e que a noite domine a História
p’ra sempre, como um cometa
rodando na órbita da memória!
O ocaso não é o do astro que vejo;
é o da civilização que protejo
do inescapável apocalipse.
Escondido do mundo, o sol
serve ao cosmos de farol
serve ao crepúsculo o eclipse.
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