A crise interna da União Europeia sobre os controlos fronteiriços intensificou-se, com a Espanha a responder à decisão da Itália de suspender o seu acordo de livre circulação com novas verificações fronteiriças para os italianos.

 

O governo italiano criticou a decisão da Espanha de impor controlos fronteiriços às pessoas que chegam de Itália, depois das autoridades italianas terem suspendido temporariamente a livre circulação com o país ibérico, em resposta à crise migratória de Ceuta.

Depois da Itália ter suspendido temporariamente o seu acordo do Espaço Schengen com a Espanha, as autoridades aduaneiras espanholas verificaram 199 viajantes em 12 voos provenientes de Itália, em seis grandes aeroportos.

O Espaço Schengen é uma zona de fronteiras abertas composta por 29 países europeus, a grande maioria dos quais são membros da União Europeia (UE), na qual são abolidas as verificações internas de passaportes. No entanto, os Estados-Membros podem reintroduzir temporariamente os controlos fronteiriços por razões de segurança nacional. Os controlos fronteiriços de Espanha deverão permanecer em vigor até 7 de Setembro.

O Governo italiano classificou a resposta de Espanha como “desproporcional”, já que a decisão da Itália de suspender a livre circulação com a Espanha aplicava-se apenas aos cidadãos não pertencentes à UE que chegassem por via aérea ou marítima.

O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, afirmou a este propósito:

“Esperamos poder suspender a medida em breve, assim que já não haja risco. Ceuta não está na área Schengen, mas é um enclave espanhol. A Espanha está na área Schengen. O risco, como também diz a imprensa espanhola, são os movimentos secundários de não marroquinos. Para onde vão depois de chegarem a Espanha? A Itália, como destino, é o país mais exposto. Não somos a Alemanha nem a Noruega. Cerca de 15 imigrantes ilegais já foram detidos em Itália. Sem mencionar que, entre os migrantes, havia alguns que já tinham sido expulsos por jihadismo”.

Esta troca de farpas entre Espanha e Itália sublinha a crescente instabilidade do regime de fronteiras abertas da UE. De acordo com as regras do bloco, os Estados-membros devem permitir a livre circulação de pessoas e bens, com controlos mínimos de imigração. Assim, incidentes como a crise de Ceuta têm grandes repercussões para outros países da União. A crise reflecte abordagens contraditórias ao controlo das fronteiras dentro da UE, com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, a favorecer alguma restrição à imigração, enquanto o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de extrema-esquerda, defende a liberalização dos controlos fronteiriços, promovendo a concessão de amnistia em massa aos imigrantes ilegais.

Milhares de imigrantes ilegais continuam em Ceuta, um enclave espanhol na fronteira com Marrocos, no Norte de África, depois de aproximadamente 70.000 marroquinos terem atravessado a fronteira no final de julho.