As acções da Netflix estão em baixa, após um ciclo de desempenho muito abaixo do esperado e um dos piores arranques de semestre em duas décadas. O envolvimento dos subscritores tornou-se uma preocupação crescente para a gigante do streaming, e um novo relatório sugere que a administração da empresa pode estar a considerar uma mudança arriscada para a televisão em directo, de forma a reanimar o tempo de visualização e fortalecer o seu negócio de publicidade.
De acordo com o The Wall Street Journal, a administração da Netflix está a avaliar os canais ao vivo, os pacotes de streaming de terceiros e os direitos adicionais de transmissões desportivas, como já fazem outras operadoras concorrentes neste mercado, como a Amazon e a Apple, enquanto procura reverter o declínio no envolvimento dos subscritores.
As discussões da Netflix sobre a adição de canais de TV e, potencialmente, pacotes de streaming de directos televisivos que apareceriam como ícones na página inicial do serviço, mostram como a empresa está disposta a distanciar-se das suas origens.
Esta mudança ocorre numa altura em que a empresa de análise de audiências Nielsen informou que a quota da Netflix caiu para 7,8% em Abril, o seu nível mais baixo desde Maio de 2025.
A quota da Netflix no tempo de streaming também diminuiu, caindo de 21% para 17% no período de dois anos que terminou em Março de 2026, no contexto da forte concorrência de plataformas rivais.
Geetha Ranganathan, analista da Bloomberg Intelligence, afirmou a este propósito:
“Os planos provavelmente reacenderão o foco no envolvimento, um factor-chave para a publicidade e o crescimento das receitas a longo prazo. A estratégia faz sentido, tendo em conta o lançamento dos canais lineares da estação francesa TF1, que aumentou a audiência em 16% em três semanas”.
Matthew Condon, analista da Citizens, comentou:
“Se o envolvimento diminuir e a taxa de cancelamento começar a subir, a principal vantagem estrutural começará a corroer-se. É isto que, em última análise, está a levar a Netflix a explorar parcerias para a TV ao vivo e pacotes de subscrição”.
Embora a Netflix continue a ser a líder em streaming, as suas acções caíram quase para metade desde meados de 2025.
O fraco desempenho das acções não se deve apenas à crise de envolvimento dos subscritores, mas também à previsão decepcionante da empresa para o segundo trimestre, incluindo margens operacionais mais baixas em comparação com o ano anterior.
E conteúdos miseráveis, claro.
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