O Procurador-Geral da Flórida, James Uthmeier anunciou na quarta-feira que o seu gabinete está a iniciar uma investigação sobre o ex-director do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeciosas (NIAID), Anthony Fauci, pela sua conduta durante a pandemia COVID-19.

O anúncio surgiu após Fauci ter comparecido perante a Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado dos EUA, onde invocou a Quinta Emenda por mais de cem vezes, recusando-se a responder às perguntas dos legisladores sobre as acções do governo federal no decurso da pandemia.

Uthmeier criticou o testemunho de Fauci numa publicação nas redes sociais, dizendo que a sua “falta de sinceridade no Congresso foi inacreditável”, e acrescentando que “já é tempo de sabermos a verdade sobre o que aconteceu durante a COVID”.

 

 

Durante a audiência, Fauci disse que estava a invocar o seu direito constitucional contra a auto-incriminação, seguindo a orientação dos seus advogados.

A investigação surge após comentários anteriores do governador da Florida, Ron DeSantis, que disse que a Florida poderia examinar se as acções de Fauci violaram alguma lei estadual depois de o ex-presidente Joe Biden lhe ter concedido um indulto federal preventivo. DeSantis descreveu o perdão de Biden a Fauci como um dos seus “maiores abusos de poder” e disse anteriormente que o procurador-geral da Flórida iria analisar se o estado tem jurisdição para prosseguir com qualquer possível acção legal.

A investigação pode levar Fauci a enfrentar consequências legais pelas suas acções durante a pandemia, uma vez que o perdão que recebeu do ex-presidente Joe Biden não abrange os crimes estaduais. Tanto mais que na semana passada uma comissão do Senado considerou que o infame médico desobedeceu à autoridade do Congresso, resolução que foi entretanto enviada por Rand Paul para a procuradoria federal, na expectativa, talvez irrealista, de que o Departamento de Justiça mostre vontade política para perseguir Fauci judicialmente.

O Contra tem muitas dúvidas sobre os efeitos concretos das iniciativas do procurador da Florida e do senador Rand Paul, que não passam, muito provavelmente, de teatro político. Mas seja como for, estes factos sempre poderão castigar o sono de Fauci, o que já não é mau de todo.