“A minha tese especulativa é que, se o Anticristo chegasse ao poder, seria a falar do Armagedão o tempo todo.”
Reparem bem: foi Peter Thiel que disse isto.
O mesmo Peter Thiel que está constantemente a falar do Anticristo e do Armagedão.
O mesmo Peter Thiel que capitalizou a famosa start up de Zuckerberg, em 2004. O mesmo Peter Thiel que foi CEO do servidor de transações PayPal, empresa que durante a pandemia negou o serviço a milhares de utilizadores, por crimes de opinião. O mesmo Peter Thiel que colocou JD Vance no cargo de vice-presidente dos Estados Unidos da América, recrutando-o ainda quando frequentava a faculdade e financiando desde aí todo o seu percurso político. O mesmo Peter Thiel que fundou, literalmente em sociedade com a CIA, a Palantir, entidade dantesca que se dedica infatigavelmente a usar as tecnologias de IA e o hardware de vigilância instalado a nível global para cometer crimes contra a humanidade, como o genocídio em Gaza ou o controlo totalitário das massas pela propaganda, a desinformação e a alucinação.
O mesmo Peter Thiel que hesitou e emudeceu quando um jornalista britânico lhe perguntou se, em última análise, ele desejava que a humanidade sobrevivesse e prosperasse à escatologia que gosta de profetizar nas suas íntimas conferências com outros elitistas da pior espécie, tanto como nos amplos palcos mediáticos que tem ao seu dispor.
O mesmo Peter Thiel cujo nome surge mais de 2.200 vezes na parte dos ficheiros Epstein que vieram a público.
A besta, na citação em cima, está basicamente a assumir a profissão de cinzas.
E não acontece nada. Não há multidões na rua, nem jornalistas espertos, nem cristãos em pânico, nem nada. Isto é perfeitamente normal. Não há nada para ver aqui.
A minha ideia de Deus, pelo que conheço das palavras que nos evangelhos são atribuídas a Jesus, não compagina com anticristos. Mas dou por mim a quase acreditar que Peter Thiel é um.
Os senhores do universo do eixo Silicon Valley-Wall Street-Telavive já não precisam de mentir e deixam agora cair as máscaras, porque perceberam entretanto que usufruem de total imunidade quando assumem publicamente o seu real perfil e as suas verdadeiras intenções.
Fauci invoca a Quinta Emenda com todo o desplante do aldrabão nepotista que é. Trump fala da queda de civilizações no Médio Oriente, aos eleitores a quem prometeu a paz, com toda a desfaçatez de quem se julga a salvo de qualquer juízo que transcenda a Sala Oval. Alex Karp, o luciferino CEO da Palantir, gaba-se de tanta gente que o seu software pode matar – e mata! Netanyahu promete todos os dias mais matança, contando com a servitude da Casa Branca e a passividade dos povos. Kaja Callas inventa toda uma II Guerra Mundial alternativa para que a História cumpra com a sua narrativa psicopata. Em Davos informam-nos claramente que vamos ser destituídos do direito à propriedade. Em Bruxelas e em Londres criminalizam abertamente, com entusiasmo publicista, todo o discurso que divirja da propaganda regimental. Em Paris, o Chefe do Estado Maior proclama que os franceses devem estar psicologicamente preparados para que os seus filhos morram nas trincheiras de uma guerra que deve ser feita à Rússia, sem que lhes seja sequer anunciada uma razão moral para esse sacrifício. Na Califórnia destroem toneladas de livros raros, para alimentar os algoritmos de IA. Em Washington vão fundir as forças armadas norte-americanas com as IDF sionistas – às claras e como se a junção fosse um assunto de tal forma trivial que até foi enfiado num pacote legislativo tão diverso como a cidade de Nova Iorque, insone urbe onde Mandani quer identificar os consumidores na mercearia, mas acha que é racista pedir o mesmo aos eleitores, na urna de voto.
Sam Altman, o CEO da OpenAI (ChatGPT) não se importa nada de reconhecer que as tecnologias de inteligência artificial vão conduzir a humanidade a um qualquer Armagedão, mas alegra-se pela quantidade de empresas dedicadas ao processo apocalíptico que vão entretanto prosperar em Silicon Valley,
O que é que esta gente precisa de dizer e fazer mais, para que as massas comecem pelo menos a sentir medo?
Não é pedir muito. Não estou à espera de revoluções. Mas será que estamos todos de tal forma anestesiados que já nem medo conseguimos sentir? De tal forma alienados que nem o perigo detectamos?
É firme opinião deste vosso redactor que, dada a turba satânica que detém o poder e – na maior parte dos casos – o monopólio da violência, toda a gente devia viver realmente assustada.
E confesso: tipos como Peter Thiel assustam-me deveras.
Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura
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