O Irão rejeitou publicamente as alegações de que está a negociar com os Estados Unidos, contradizendo o anúncio do Presidente Trump sobre conversações iminentes.

 

O Irão declarou na segunda-feira que não tem rondas de negociações ou reuniões planeadas com a diplomacia do Estados Unidos, contradizendo o presidente norte-americano Donald J. Trump, que afirmou no fim de semana que um acordo estava próximo e que as conversações começariam na tarde de segunda-feira, apontando essa eventualidade como motivo para cancelar os ataques militares planeados.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que todos os negociadores permanecem no Irão, com excepção do ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, que se encontra em peregrinação religiosa no Iraque, e acrescentou que as únicas discussões em curso envolvem Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz.

Um parêntesis: a serem verdadeiras, o que é improvável, há que estranhar as declarações de Teerão relativamente ao chefe da sua diplomacia, já que anunciar a localização de Araqchi (ainda por cima no Iraque) é um estranho convite para que a CIA ou a Mossad o assassinem rapidamente…

Esta não é de todo a primeira vez que Trump anuncia acordos e negociações que os iranianos refutam liminarmente. Teerão tem rejeitado consistentemente qualquer iniciativa diplomática com Washington desde que o memorando de Junho, que visava pôr fim ao conflito, falhou no início de Julho.

De tal forma se sentem confiantes na favorabilidade da sua posição no contexto do conflito no Golfo, que os iranianos interromperam até um curto e unilateral cessar-fogo declarado por Trump no fim de Julho, atacando bases militares do Pentágono na Jordânia.

A decisão do infeliz e aldrabão presidente norte-americano relaciona-se, segundo uma variedade de fontes, com a pressão que alguns dos países do Golfo, com destaque para a Arábia Saudita, exerceram sobre a Sala Oval para que os EUA não desencadeassem um ataque ao Irão que levasse a situação no Golfo para níveis de confronto militar ainda mais graves do que aqueles já registados.

Os EUA não alcançaram de todo os seus objectivos declarados de desmantelar completamente o programa nuclear do Irão e de abrir o Estreito de Ormuz ao trânsito internacional (que estava aberto e perfeitamente funcional antes da guerra iniciada pelos americanos).

As disputas sobre o controlo do Estreito de Ormuz continuam a ser um grande ponto de atrito, com Washington a argumentar que o Irão concordou em Junho em reabrir a vital rota marítima, enquanto Teerão insiste que o acordo preservou a sua auto-proclamada autoridade sobre o tráfego através da via navegável.

Os contratos futuros do índice Brent caíram mais de 4% para 84 dólares por barril, depois de Trump ter cancelado os ataques planeados contra o Irão, mas podem voltar a subir após a declaração do Irão alegando que não há negociações em curso, porque os investidores reagem às notícias com a resiliência de galinhas transgénero. O simples facto dos mercados continuarem a reagir de forma dramática às declarações que Donald Trump faz sobre o conflito no Golfo é, por si só, eloquente sobre a esquizofrenia de Wall Street.