O Presidente norte-americano Donald J. Trump Trump prometeu que o Irão irá “apanhar uma tareia” por ter lançado um ataque surpresa com mísseis contra as forças norte-americanas na Jordânia, interrompendo uma pausa de vários dias nos combates na região, decidida unilateralmente pela Casa Branca.

Trump destacou o historial de negociações de má-fé do Irão numa entrevista por telefone na manhã de quarta-feira, afirmando:

“Vamos atacá-los com força. Vão levar uma tareia”.

 

 

Segundo relatos oficiais, as forças norte-americanas tiveram apenas alguns minutos para interceptar o que o presidente Trump descreveu como um “ataque surpresa” à base jordana, o primeiro ataque iraniano contra as forças norte-americanas desde que Trump suspendeu as operações contra a República Islâmica há quase uma semana. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) declarou a este propósito:

“Às 17h45 (hora do leste dos EUA) de hoje, forças da Guarda Revolucionária Islâmica lançaram vários mísseis balísticos do Irão numa tentativa de ataque surpresa contra as forças americanas baseadas no Médio Oriente. Todos os mísseis iranianos foram interceptados com sucesso. As forças americanas permanecem vigilantes e em elevado estado de prontidão.”

Menos de 24 horas depois das afirmações de Donald Trump, o Pentágono voltou a bombardear o território do Irão. Mas enquanto os iranianos insistem em atingir alvos militares, as forças norte-americanas têm bombardeado repetidamente infra-estruturas civis como escolas, pontes e centrais eléctricas. E tudo indica que os alvos do Pentágono continuam a incluir este tipo de estruturas, já que o próprio presidente dos EUA teima em ameaçar Teerão com esse tipo específico de ataques, que na verdade constituem crimes de guerra, e o Pentágono reconhece que não tem mais alvos militares para visar.

 


O episódio ilustra perfeitamente o facto de o Irão estar numa posição favorável no conflito, ao ignorar o cessar-fogo decretado pela Casa Branca, que enfrenta neste momento assinaláveis dificuldades militares, logísticas e políticas no Golfo Pérsico, a começar por um exaurido stock de munições.

Circulam rumores na imprensa corporativa de que Trump deu rédea solta ao seu irascível temperamento durante uma reunião de segurança, gritando e praguejando ao ser confrontado com as limitadas opções militares que lhe foram apresentadas e com a falta de progresso em direcção a um acordo com o Irão.

Um responsável norte-americano comentou nestes termos o mal-estar que se vive na Casa Branca:

“Depois de todo este tempo, não há unidade dentro da administração, que está a enfrentar uma derrota estratégica sem uma orientação política clara ou uma decisão sobre o rumo a seguir”.

Um aliado próximo de Trump acrescentou que o presidente está “exasperado” e que

“não há uma estratégia real sobre quanto tempo devemos ficar no Golfo ou o que lá estamos a fazer”.

Não é preciso um mestrado na Arte da Guerra para já ter percebido isso há que tempos.