Uma vaga de migrantes africanos que estão a entrar sem controlo no enclave espanhol de Ceuta criou uma grave crise de segurança. Mas o governo de Sánchez afirmou que não pode decretar Estado de Emergência por causa de um evento relacionado com a imigração.

 

Dezenas de milhar de migrantes africanos têm chegado a Espanha através do enclave de Ceuta, na costa magrebina, onde as autoridades locais afirmam que mais de 1.500 pessoas atravessaram de Marrocos por via marítima na última semana, sobrecarregando os centros de acolhimento e levando a apelos para que Madrid declare o Estado de Emergência nacional.

O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, descreveu a situação como uma “total emergência humanitária e social”, afirmando que os centros de acolhimento de migrantes estão lotados e que as instalações para menores não acompanhados estão a funcionar com 2.400% da capacidade. Vídeos partilhados nas redes sociais mostram filas intermináveis de pessoas que pretendem entrar no enclave e multidões de migrantes a correr pelos postos fronteiriços sem qualquer controlo e por praias e colinas depois de chegarem a território espanhol, uma das duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia (UE) com África, juntamente com Melilla, outro enclave espanhol.

O Ministério do Interior afirmou que o governo está a coordenar a sua resposta “com a máxima rapidez e eficiência”, e o Ministro da tutela, Fernando Grande-Marlaska, tem agendada uma visita a Ceuta para avaliar a situação. Ainda assim, o ministro recusa a possibilidade de accionar o Estado de Emergência, afirmando que não o pode declarar “apenas por causa da migração”.

 

 

O surto de migração por Ceuta ocorre semanas depois de Espanha ter concluído o seu programa de amnistia para imigrantes, que atraiu quase 1,2 milhões de pedidos até à data limite de 30 de Junho, muito acima das estimativas iniciais do governo, com algumas fontes policiais a afirmar que mais de 400.000 pedidos podem ter sido enviados por pessoas que se inscreveram no estrangeiro (!) ou utilizando documentação fraudulenta.

O súbito e massivo fluxo migratório para Ceuta, que é legalmente território da União Europeia, criou uma dupla crise, sobrecarregando as forças de segurança locais e os recursos humanitários. Por ter uma fronteira terrestre da UE com África, Ceuta representa mais uma via para as contínuas pressões migratórias sobre a Europa, para além das travessias marítimas para as Canárias espanholas, Espanha continental, Itália e Grécia.