A França está a viver em 2026 a sua pior época de incêndios florestais de que há registo, com grandes fogos concentrados no sudoeste, em particular no departamento da Gironda, perto de Bordéus, e na península de Cap Ferret.

Desde o início do ano, mais de 115.000 hectares de terreno arderam — muito acima dos totais sazonais anteriores. Trata-se de um dos desastres mais destrutivos que o país experimentou desde a Segunda Guerra Mundial. O calor extremo, a seca prolongada e os ventos fortes conduziram à rápida propagação. Centenas de milhares de pessoas foram evacuadas, com estimativas na região da Gironda a atingir 200.000 a 220.000 residentes e visitantes. Dezenas de edifícios foram destruídos, bombeiros sofreram ferimentos e foram mobilizados apoios militares e recursos aéreos da UE. Não foram reportadas oficialmente mortes de civis, embora o impacto económico e ambiental seja grave, incluindo ameaças ao turismo, à silvicultura e à indústria vinícola de Bordéus.

As autoridades francesas sublinharam que a grande maioria dos fogos tem causas humanas. A 27 de Julho de 2026, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu declarou publicamente que as forças de segurança tinham efectuado 162 detenções desde 6 de Julho, relacionadas com pessoas que deliberadamente iniciaram ou estiveram envolvidas na atear dos fogos florestais. O primeiro-ministro notou que nove em cada dez fogos têm origem humana – seja por negligência ou actos intencionais – e que atear deliberadamente um fogo pode acarretar penas até 15 anos de prisão. Funcionários do Ministério do Interior descreveram a situação como “altamente desfavorável” e alertaram para o risco contínuo face às condições meteorológicas.

Neste contexto, circula actualmente entre as redes sociais a tese, viral em França, de que certas áreas agora incendiadas coincidem com locais anteriormente previstos para grandes projectos de energias renováveis, incluindo enormes parques de painéis solares, e centros de dados associados. Um proeminente exemplo anterior é o projecto Horizeo em Saucats (Gironda), a sul de Bordéus. Anunciado por volta de 2021 pela ENGIE e pela Neoen, previa uma instalação solar de cerca de 1 GW abrangendo centenas de hectares de terreno florestal, potencialmente associada a armazenamento de energia, produção de hidrogénio verde e um centro de dados. O projecto enfrentou oposição local devido à desflorestação e ao mau uso do solo, foi progressivamente reduzido, viu a componente do centro de dados abandonada em 2024 e foi finalmente cancelado em meados de 2025. A área que estava relacionada com este projecto ardeu agora.

 

 

Uma reportagem televisiva francesa de 2024 (incluída no vídeo do post em cima) já tinha reportado o desenvolvimento de parques solares que substituíam floresta na região mais vasta das Landes, também em boa parte ardida, mostrando imagens aéreas de painéis e mapas de planeamento perto de Saucats e Le Barp. Alegações semelhantes de padrão coincidente surgiram em coberturas de fogos anteriores nos EUA (por exemplo, Maui), onde observadores notaram sobreposições entre zonas queimadas e planos posteriores de desenvolvimento de infraestruturas.

As investigações oficiais sobre os actuais fogos franceses centraram-se em incêndios criminosos e causas acidentais, e não em qualquer esquema coordenado de limpeza de terreno; mas a suspeita que parte dos fogos deste Verão em França tenham sido ateados para facilitar a instalação de mega-estruturas de energias renováveis e centros de dados, sabendo nós como sabemos que corporações e que interesses estão por trás destes projectos, é perfeitamente plausível.

Os fogos permanecem ainda activos ou apenas parcialmente controlados, em França, enquanto as condições meteorológicas se mantêm difíceis.