Metade dos imigrantes ilegais que permanecem no Reino Unido não pode ser deportada devido a pedidos de asilo e alegadas violações dos direitos humanos.
O Reino Unido não pode deportar metade dos cerca de 400.000 imigrantes ilegais que se sabe estarem no país devido a pedidos de asilo e violações dos direitos humanos, de acordo com documentos governamentais recentemente divulgados.
Em Agosto de 2024, o Serviço de Imigração do Reino Unido identificou 412.191 imigrantes sem estatuto legal no país. Este número inclui trabalhadores estrangeiros que permaneceram no Reino Unido após a expiração dos seus vistos, estudantes estrangeiros e requerentes de asilo rejeitados. Destes indivíduos, 201.926 foram considerados “não removíveis” devido a processos judiciais pendentes relacionados com pedidos de asilo e violações dos direitos humanos.
A leaked 2024 document revealed that nearly half of 400,000 identified illegals could not be deported under this Labour government.
Reform UK will stop the boats and deport every single illegal migrant. ✅ pic.twitter.com/tmnazJaXRQ
— Reform UK (@reformparty_uk) June 25, 2026
Em resposta a estas conclusões, o Ministério do Interior britânico planeia introduzir nova legislação para agilizar o processo de revisão. Especificamente, o Projecto-Lei da Imigração e Asilo pretende duplicar o orçamento para a Fiscalização da Imigração e aumentar o número de agentes em 60% até 2029.
O projecto-lei procura também limitar a utilização do artigo 8.º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos; nomeadamente, o direito à vida privada e familiar, ao domicílio e à correspondência, que historicamente tem sido utilizado para impedir a deportação de criminosos nascidos no estrangeiro que estabeleceram algum tipo de ligação na Grã-Bretanha. O projecto-lei inclui também disposições que visam pôr fim ao abuso da Lei da Escravatura Moderna, especificamente, aspectos da lei que os migrantes utilizam para evitar a deportação alegando que foram vítimas de tráfico humano, bem como introduzir um estatuto de “refugiado temporário”. A votação do pacote legislativo está prevista para a próxima semana.
Os dados recentemente divulgados mostram como o actual sistema de direitos humanos e de asilo impede e atrasa a deportação de imigrantes ilegais sem estatuto legal para estarem no Reino Unido. Revelam também como o sistema é explorado para impedir a deportação de indivíduos amplamente considerados ameaças às comunidades locais. Os documentos irão provavelmente agravar as preocupações preexistentes e a indignação pública em relação às políticas de imigração e refugiados em vigor.
No entanto, Andy Burnham, o recém cooptado primeiro-ministro do Reino Unido, poderá descartar disposições importantes do projecto-lei do seu próprio governo, para apaziguar os deputados trabalhistas contrários à deportação, principalmente os que representam minorias étnicas, que constituem hoje uma importante força eleitoral no Reino Unido.
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