Rand Paul está a destruir o já de si mais que questionável legado de Anthony Fauci, ao divulgar publicamente o que o infame médico escrevia nos seus diários. Enquanto mandava fechar escolas e mentia descaradamente sobre as origens da pandemia, Fauci gabava-se de si para si: “Sou a pessoa mais famosa e comentada do país”.
O senador Rand Paul (republicano do Kentucky) tentou repetidamente nos últimos anos que o Departamento de Justiça incriminasse o ex-director do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeciosas, Anthony Fauci, por aparente falso testemunho perante o Congresso em 2021.
Esperava-se, talvez ingenuamente, que a eleição de Donald Trump permitisse à procuradoria federal fazer o seu trabalho, mas o prazo de prescrição para acusar Fauci pelo alegado perjúrio expirou em Maio, e Fauci também possui um perdão automático “total e incondicional” do presidente Joe Biden, que abrange o período de Janeiro de 2014 a Janeiro de 2025.
No entanto, Paul obrigou o criminoso de 85 anos a mais uma sessão de vexame público, exigindo que Fauci testemunhe na próxima quarta-feira perante a Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado.
Como prólogo a essa sessão de pancadaria, Paul divulgou uma série de documentos comprometedores — incluindo centenas de páginas de diário de Fauci, onde o imunologista não só se revela um megalómano, como também mina a narrativa oficial que defendeu publicamente sobre a COVID-19, a sua origem e o encerramento de escolas.
1/9 — My investigation uncovered that Anthony Fauci kept a diary.
What he wrote privately and what he told the country are two different stories.Today I’m releasing his entries from December 2019 through December 2022. 🧵 pic.twitter.com/58LvmeYkCN
— Senator Rand Paul (@SenRandPaul) July 25, 2026
Os documentos divulgados por Paul mostram que, numa entrada de diário datada de 21 de Maio de 2020, Fauci aparentemente anotou o número de infecções e mortes por COVID, tanto a nível global como nos Estados Unidos, e depois passou o resto da entrada a gabar-se da sua recém-adquirida fama.
“Uma grande reportagem de capa sobre mim apareceu no Washington Post. Muito lisonjeiro. A situação com a minha fama nacional e internacional é explosiva e realmente inimaginável. Não é exagero dizer que hoje sou a pessoa mais famosa e comentada do país e uma das pessoas mais reconhecidas do mundo.”
O cronista de si mesmo gaba-se de não conseguir acompanhar tudo o que se escrevia sobre ele; que o presidente Donald Trump “parece estar encantado comigo, mesmo quando eu lhe roubo a cena”; e que os agentes dos Serviços Secretos dos EUA “deixaram-me entrar pelo primeiro portão sem sequer verificarem a minha identidade”.
Dias depois, o médico escreveu, entusiasmado, que a imprensa estava “enlouquecida” com ele, enquanto, em simultâneo, “crucificam o presidente por não me ouvir e fazer declarações absurdas sobre terapias ‘revolucionárias’ e elogiam-me por me manter firme nas minhas convicções”.
Embora tenha finalmente admitido que houve um “custo elevado” associado ao encerramento das escolas durante a pandemia, Fauci disse ao programa “This Week”, da ABC News, que “não teve nada a ver” com o encerramento das escolas.
Os diários publicados por Paul sugerem o contrário. Uma nota datada de 15 de Março de 2020 refere:
“Conversei com Bill de Blasio [Mayor de Nova Iorque] e convenci-o, com base no que estava a dizer publicamente e na nossa conversa desta noite, a fechar as escolas de Nova Iorque (ele já tinha decidido isso com base no que eu estava a dizer na TV). Continuei a dizer-lhe que devia fechar os bares e restaurantes de Nova Iorque. Ele disse que tomaria essa decisão com base na minha recomendação.”
A mesma nota refere ainda que Fauci teve uma conversa telefónica com o chefe de gabinete do governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, que o informou que, com base nos seus comentários televisivos, “o governador decidiu fechar as escolas na Califórnia, bem como os bares e restaurantes”.
O senador Paul salientou ainda que, numa anotação de 26 de Janeiro de 2020, Fauci pareceu admitir que sabia que a COVID-19 não tinha origem num mercado de animais vivos na China, ao contrário da teoria predominante entre os que na altura se davam como peritos, e que ele próprio subscreveu publicamente inúmeras vezes, ao escrever:
“Parece agora, utilizando dados epidemiológicos e genómicos, que a primeira infecção ocorreu no início de Dezembro e não estava relacionada com o mercado. As infeções espalharam-se entre as pessoas semanas antes de os chineses terem relatado que estavam a lidar com uma nova infecção, o que deu ao vírus tempo para se estabelecer numa disseminação multigeneracional (sustentada).”
A 26 de Janeiro, acrescentou:
“Recorde-se, no início, os chineses diziam que não havia transmissão de pessoa para pessoa e que todos os 27 casos iniciais eram do mercado. Agora sabemos que o mercado não foi a fonte, mas sim o amplificador. Dito isto, algures o vírus passou de animais para humanos.”
Embora Fauci admita em privado que o mercado de Huanan não era o ponto de origem da pandemia, promoveu publicamente o infame artigo publicado na Nature Medicine a 17 de Março de 2020, “A Origem Proximal do SARS-CoV-2”, que afirmava:
“Como muitos dos primeiros casos de COVID-19 estavam ligados ao mercado de Huanan em Wuhan, é possível que uma fonte animal estivesse presente nesse local.”
Fauci utilizou este artigo em diversas ocasiões para sugerir ao público americano que a COVID-19 não era uma fuga de laboratório, mas sim um vírus animal que passou para os humanos. Dois estudos publicados na revista Science em Julho de 2022 — “O Mercado Grossista de Produtos do Mar de Huanan, em Wuhan, foi o epicentro inicial da pandemia de COVID-19” e “A epidemiologia molecular das múltiplas origens zoonóticas do SARS-CoV-2” — exaltaram o mercado de animais vivos como o potencial epicentro da pandemia. Jonathan Pekar, da Universidade da Califórnia, em San Diego, e vários associados de Fauci, incluindo o biólogo evolucionista Kristian Andersen, o virologista Edward Holmes e o virologista Robert Garry, estavam entre os autores destes artigos.
Fauci parece porém reconhecer a suspeita entre os seus colegas de que uma transmissão zoonótica era improvável, como mostram os documentos divulgados por Paul.
Depois de ter descartado a possibilidade de o SARS-CoV-2 ser um produto de experiências de ganho de função que foi deliberadamente ou acidentalmente libertado, Fauci teve uma teleconferência com Andersen e Jeremy Farrar, um biólogo “que parecia muito preocupado”, segundo mostram os documentos. “As pessoas ao telefone pensavam que as mutações em torno do local de clivagem da proteína spike não poderiam ter ocorrido naturalmente, pois exigiriam um ‘salto’ evolutivo que não encontraram em nenhum isolado de morcego”, dizia o registo. “Colocaram a possibilidade de que isto pudesse ter sido inserido deliberadamente e libertado acidentalmente – ou deliberadamente por alguém desequilibrado no laboratório -, sendo a primeira a mais provável.”
As correspondências obtidas em 2022 através de um processo de acesso à informação movido pelo repórter do Guardian, Jimmy Tobias, mostram que, a 31 de Janeiro de 2020, Andersen escreveu a Fauci:
“É necessário examinar o genoma com muita atenção para identificar características que possam ter sido manipuladas. […] Devo referir que, após as discussões de hoje, o Eddie [Holmes], o Bob [Garry], o Mike [Farzan] e eu considerámos o genoma inconsistente com as expectativas da teoria da evolução.”
Como documentámos em Junho deste ano, antes de deixar o cargo de directora de Inteligência do governo federal americano, Tulsi Gabbard divulgou documentos que sugerem que Anthony Fauci financiou investigação de ganho de função no laboratório de Wuhan e trabalhou activamente para suprimir a teoria, entretanto confirmada, de que uma fuga desse laboratório esteve na origem da pandemia COVID-19.
Mentiras, ego e poder: Fauci, que gostava de se considerar como o símbolo vivo da ciência, ficará para a posteridade como testemunho eloquente do carácter fraudulento e da instrumentalização nepotista da pandemia.
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