Entre as muitas traições ao mandato eleitoral que Donald Trump tem cumprido, esta é das menos faladas: os americanos nativos não só continuam a ser preteridos no mercado de trabalho como o número de imigrantes ao abrigo de vistos H-1B tem aumentado, e este ano o número de renovações desses vistos vai até atingir um recorde absoluto.
As renovações de vistos H-1B deverão atingir um máximo histórico no ano fiscal de 2026, com 273.026 pedidos de permanência no emprego já aprovados nos primeiros nove meses, de acordo com uma análise da LayoffHedge, realizada com base em dados do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS). Este número aproxima-se já dos 291.542 pedidos de renovação aprovados no ano fiscal de 2025, que era o recorde anterior.
Ou seja: os dois primeiros anos do segundo mandato presidencial de Donald Trump batem recordes de renovação de vistos de trabalho para imigrantes, enquanto os números do desemprego em 2025 atingiram o índice mais alto em quatro anos e quando, só em Fevereiro, a economia americana perdeu 92.000 postos de trabalho.
“I can’t afford to pay experienced American workers for technical roles, so we need more H-1Bs. They’ll happily work for less in exchange for the promise of a permanent immigration benefit. You don’t even have to offer them an equity stake!” https://t.co/VM7uv4XLK8 pic.twitter.com/PQVfzD6BBM
— U.S. Tech Workers (@USTechWorkers) July 1, 2026
O número crescente de renovações de vistos H-1B tem implicações negativas significativas para os trabalhadores americanos, cujo trabalho perde tanto mais valor quanto mais imigrantes os empregadores puderem importar para trabalhar no seu lugar. Mas há sectores da indústria norte-americana, como o tecnológico, que mantêm políticas de recrutamento declaradamente racistas, favorecendo os trabalhadores asiáticos em detrimento dos nativos norte-americanos e 66% dos trabalhadores de Silicon Valley são agora imigrantes.
Como o ContraCultura documentou na semana passada, a Microsoft decidiu despedir 4.800 funcionários enquanto continua a contratar imigrantes como se não houvesse amanhã.
A Casa Branca, porém, não parece incomodada com o fenómeno, mesmo quando o eleitorado que permitiu o regresso de Trump à Casa Branca é precisamente, na sua grande parte, o mais desfavorecido neste processo de substituição da mão de obra americana. Enquanto a actual administração tem incentivado, por exemplo, a importação de imigrantes para ocuparem empregos na agricultura, o número de empregos ocupados por estrangeiros é agora maior do que quando Trump assumiu o cargo.
America First?
🇺🇸 Foreign-born employment is now higher than when Trump took office.
At the same time, overall job data is weakening, with signs of economic contraction and more Americans leaving the workforce.
Fewer domestic workers.
More reliance on foreign labor.
The shift is already… pic.twitter.com/UmeW6UMCzu
— Mario Nawfal (@MarioNawfal) April 3, 2026
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