Os principais bancos norte-americanos registaram lucros recorde, apesar da inflação persistente e das pressões económicas ligadas à guerra com o Irão e à perturbação do comércio no Estreito de Ormuz.

 

Os maiores bancos dos EUA registaram um lucro combinado de 43 biliões de dólares no segundo trimestre de 2026, superando as expectativas dos analistas, apesar do conflito em curso com o Irão, da inflação persistente e da incerteza económica generalizada. O inevitável JPMorgan Chase, o banco preferido de Jeffrey Epstein, liderou o grupo com um lucro de 21 biliões de dólares, impulsionado por um ganho de 4,6 biliões de dólares relacionado com a sua participação no Visa, bem como por uma forte actividade de banca de investimento, impulsionada por fusões, aquisições e acordos de financiamento da bolha da inteligência artificial (IA).

O Goldman Sachs lucrou 6,6 biliões de dólares, enquanto o Bank of America registou 9 biliões de dólares com fortes resultados em negociação e banca de investimento, e o Wells Fargo reportou mais de 6 biliões de dólares, com o aumento dos empréstimos a consumidores e empresas.

Os executivos dos bancos disseram que as taxas de incumprimento relativamente baixas nos empréstimos e a expectativa de que as taxas de juro se mantenham mais elevadas durante mais tempo continuaram a sustentar a rentabilidade. O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, disse que a economia dos EUA se manteve “resiliente”, mas alertou que os conflitos geopolíticos, a inflação persistente, os grandes défices fiscais e os preços elevados dos activos continuam a representar riscos.

O CEO do Bank of America, Brian Moynihan, atribuiu um dos trimestres mais fortes da história do banco a uma “economia saudável” e à resiliência dos consumidores e das empresas, enquanto o CEO do Wells Fargo, Charlie Scharf, afirmou que as preocupações com a acessibilidade persistem, mas estão a ser compensadas por um suposto crescimento do emprego e dos salários.

Os resultados marcam o início não oficial da época de balanços trimestrais e surgem numa altura em que a administração Trump propôs substituir os relatórios financeiros corporativos trimestrais obrigatórios por relatórios semestrais. Os principais bancos afirmaram que continuarão a divulgar os seus resultados trimestrais, independentemente de quaisquer alterações regulamentares.

A narrativa de uma “economia saudável” e “resiliente” não se plasma na realidade das classes médias americanas. A inflação nos Estados Unidos atingiu 4,5%, o seu nível mais elevado em três anos, impulsionada pelo aumento dos custos energéticos provocado pela guerra com o Irão, enquanto a maioria dos americanos considera agora que a sua situação financeira está a piorar.

Em Abril deste ano, os pedidos de execução hipotecária nos EUA aumentaram drasticamente, sinalizando uma crescente pressão financeira sobre os proprietários de imóveis, no contexto dos elevados custos de crédito.

A economia dos EUA perdeu 92.000 empregos em Fevereiro, um resultado significativamente abaixo das projecções dos analistas económicos, que previam um ganho líquido de 60.000 empregos. A taxa de desemprego subiu para 4,6%, marcando o nível mais elevado desde Setembro de 2021.

O sonho americano é hoje não mais que uma ilusão, com os jovens casais incapazes de adquirir casa própria e a endividarem-se cada vez mais com cartões de crédito, cujos juros sobem nos Estados Unidos a 20 e 30% por mês (e daí a uma boa parte dos lucros do JPMorgan Chase referidos no início deste texto).

 

 

A dívida nacional dos EUA atingiu um marco histórico a 31 de Março deste ano, quando ultrapassou o valor total da produção de toda a economia americana, que cresceu em 2025 menos de metade da economia chinesa.

 

 

Como é fácil de perceber, só mesmo em Wall Street (e Silicon Valley) é que alguém consegue estar satisfeito com a economia americana.