Num país que os omnipresentes activistas de esquerda nos tentam impingir como democrático e plural, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) — a nova PIDE — proferiu uma decisão vergonhosa, digna dos ‘tempos da outra senhora’: censurar e punir a exibição de um vídeo que, simplesmente, agradece à mãe por ter escolhido a vida. O vídeo “Obrigado Mãe”, produzido por Miguel Milhão e exibido em Maio de 2025 nos canais TVI, CNN Portugal, CMTV e News Now, foi classificado como uma violação da Lei da Televisão e do Código da Publicidade. O motivo? Ser “político”, não ser facilmente identificável como publicidade e, pior ainda, ser susceptível de “influenciar negativamente a formação da personalidade de crianças e adolescentes”. Como poderá um vídeo destes influenciar negativamente os mais novos? Sensibilizando-os para o valor absoluto da vida humana? Ou alertando-os para o mal profundo que é eliminar vidas humanas indefesas?
É isto. Um vídeo que mostra a realidade crua de uma interrupção voluntária da gravidez — a mulher na maca, o procedimento, o destino final de um ser humano em formação colocado num saco de lixo — foi considerado perigoso. Porque diz “não” ao aborto. Porque defende a vida. Porque, do ponto de vista do bebé, agradece à mãe por não o ter eliminado.
Como é possível que os que defendem a morte impeçam os que defendem a vida de se manifestar?
A resposta é simples e aterradora: porque a cultura dominante já não tolera o contraditório. A narrativa oficial é sagrada: o aborto é um “direito inquestionável”, uma “escolha individual”, um acto de “liberdade”. Qualquer tentativa de mostrar o que realmente acontece — que se trata da eliminação deliberada de um ser humano indefeso — é imediatamente rotulada de “desinformação”, “ataque às mulheres” ou “discurso de ódio”. E o Estado, através da sua agência reguladora, transforma-se em polícia da ideologia.
Milhares de queixas (mais de nove mil, segundo relatos) de associações pró-aborto foram suficientes para que a ERC abrisse processos contra-ordenacionais contra a TVI e a Media Livre, com multas que podem chegar aos 150 mil euros. Enquanto isso, campanhas, reportagens, séries e discursos que glorificam ou normalizam o aborto circulam livremente, sem qualquer censura. A hipocrisia é gritante: só um lado pode falar. O outro é silenciado.
George Orwell previu exactamente isto em 1984. Na distopia orwelliana, o Partido não se contenta em controlar comportamentos; precisa de controlar a realidade. O Ministério da Verdade reescreve a história, apaga palavras incómodas e pune o “pensamento-crime”. Quem ousa pensar diferente é vaporizado ou reeducado. A linguagem é distorcida (Newspeak) para que certas ideias se tornem literalmente impensáveis.
É precisamente a isto que estamos a assistir em Portugal em 2026. A ERC não regula com neutralidade; impõe uma narrativa única: o aborto é intocável. Qualquer expressão visual, emocional ou moral que o conteste — mesmo que seja apenas um vídeo de três minutos que agradece à mãe pela escolha da vida — é considerada perigosa, manipuladora e proibida. O regulador preocupa-se com a “influência negativa” nas crianças… mas não se apoquenta com o impacto de uma sociedade que ensina que eliminar o mais vulnerável é um direito humano fundamental. Orwell chamaria a isto duplipensamento: defender a “liberdade da mulher” ao mesmo tempo que se nega ao filho o direito mais básico de todos — o de nascer.
Os que defendem a morte não suportam a voz da vida porque ela expõe a sua contradição fundamental. Não conseguem debater o que realmente é o aborto sem recorrer à censura. Preferem processar, multar e calar do que permitir que milhões de portugueses vejam com os próprios olhos o que a ideologia pró-aborto tenta esconder: que, por trás de cada “escolha”, há uma vida que nunca chegará a existir.
Esta decisão da ERC não é regulação. É totalitarismo. É o Estado a decidir quais as ideias que podem ser expressas em praça pública e quais as que devem ser banidas por serem “politicamente inconvenientes”. É a imposição, pela força, de uma visão do mundo onde o ser humano em gestação não tem direitos e onde quem ousa defendê-lo é tratado como criminoso.
A verdadeira democracia não se mede pela liberdade de quem já está de acordo connosco. Mede-se pela liberdade de quem discorda radicalmente. E, neste momento, em Portugal, quem defende que a vida humana começa na concepção e merece protecção está a ser tratado como inimigo do Estado.
Obrigada, Miguel Milhão.
Obrigada, Mãe.
Obrigada a todas as mães que escolheram a vida, apesar da pressão, da propaganda e, agora, da censura institucional. E vergonha para a ERC, que escolheu defender a morte em vez da liberdade de expressão. A história julgará. E Orwell já avisou: quem controla o presente controla o passado. Quem controla a narrativa controla o futuro. Não vamos deixar que o controlem.
MARIA HELENA COSTA
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Maria Helena Costa nasceu em Aveiro, em 1965. É cristã, conservadora, casada, mãe de três filhos e avó de duas netas. Preside à Associação Família Conservadora e é deputada municipal. Realiza regularmente palestras sobre os impactos das correntes ideológicas contemporâneas na infância. É autora de várias obras publicadas, entre as quais: #éhoradospais – Uma defesa do superior interesse das crianças (2020), Feminismo Tóxico (2022), Ideologia de Género – Crónicas publicadas no Observador (2023), Identidade de Género – Ideologia ou Ciência? (2025) e Genocídio Silencioso (2026)
As opiniões da autora não reflectem necessariamente a posição do ContraCultura.
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