The Presidents Of The United States of America – The Presidents Of The United States of America

Mais uma fabulosa orquestra de 3 homens que faziam barulho como se não houvesse amanhã. O primeiro disco deles, epónimo, de 1995, entra em declarada ruptura com o Grunge que por esta altura triunfava por todo o lado, para se constituir como uma ópera eléctrica, mas despojada, minimalista, mas épica, submetida a um processo metafísico de ressurreição punk, quinze anos depois do punk ter morrido por overdose, algures numa sarjeta do Soho londrino. E o atrevimento, se bem que céptico sobre o seu próprio destino, bomba que se farta.

 

Odelay – Beck

No contexto da barbearia satânica, este é o disco de referência: “Odelay”, de 1996, traz muita coisa de novo, apesar de ser o quinto dos 14 trabalhos de estúdio produzidos, escritos e instrumentados pelo sr. Beck. O excesso de referências e cruzamentos genéticos que transportam o folk para um rodeio electrónico e o funk para a companhia do hip hop encontra residência na inspiração irreverente de um dos mais prolixos autores da pop americana dos últimos 30 anos (o último disco de Beck é de 2019). O diabo é um cowboy com um corte de cabelo alternativo, que arranjou emprego numa discoteca em El Paso. Bem vindos ao rancho psicadélico de Beck David Campbell.

 

No More Loud Music – dEUS

Mesmo considerando que na terceira década do século XXI vivemos no Ocidente um verdadeiro colapso artístico e cultural, não sou muito de achar que se faz melhor música numa época do que noutra, não sou nenhum revivalista, continuo a ouvir o que se faz agora e faz-se muito boa música agora (ainda), mas tenho que dizer isto: no momento surrealista em que uma rapariga extremamente mal criada e completamente desprovida de talento chamada Cardi B lidera o top 50 global do Spotify, sabe muito bem ouvir algo de oposto: dEUS, por exemplo.
Tom Barman e Klaas Janzoons superaram a infelicidade de serem belgas através da música e os dEUS têm uma qualificada carreira de 30 anos que abrange o folk, o rock experimental e o rock progressivo, entre opções mais próximas do meu gosto pessoal, que os levaram ao indie rock e ao risco de um certo easy listening que iria marcar parte substancial da primeira década do século XXI e de que falarei mais à frente. E é precisamente por causa do seu ecletismo que selecciono uma colectânea, talvez a única colectânea na discoteca da minha vida: “No More Loud Music”, editado em 2001, mas que reúne os singles lançados por esta banda sólida, de forte carácter e inconfundível fulgor técnico e artístico, durante os anos 90, de que destaco ‘Sister Dew’, um último canto publicado em 1999.
Cardi B: eat your heart out.

 

 

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