Um novo estudo revelou que os americanos nascidos após a década de 50, e principalmente depois de 1970, estão a apresentar taxas de mortalidade mais elevadas devido a doenças cardíacas, cancro e overdoses, sinalizando uma tendência preocupante na esperança média de vida.

 

Um estudo publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências (Proceedings of the National Academy of Sciences) indica que os americanos nascidos após 1970 estão a morrer a taxas mais elevadas por doenças cardíacas, cancro e causas externas em comparação com as gerações anteriores nas mesmas idades.

A investigação utilizou um diagrama de Lexis para rastrear as taxas de mortalidade geracional, revelando que os nascidos na década de 1950 marcaram um ponto de inflexão onde as taxas de sobrevivência começaram a diminuir. Os investigadores analisaram os dados de mortalidade dos EUA de 1979 a 2023 e identificaram a coorte dos Baby Boomers, nascidos na década de 1950, como um ponto de viragem, com as gerações nascidas mais tarde a apresentarem piores resultados em todas as principais causas de morte.

 

 

O estudo constatou um aumento da mortalidade por doenças cardiovasculares, cancro e causas externas entre a Geração X tardia e os Millennials mais velhos, contribuindo para a estagnação dos ganhos na esperança de vida do país. Os cientistas afirmaram que a tendência é particularmente preocupante porque estas gerações ainda não atingiram as idades em que muitas doenças crónicas se tornam mais comuns, aumentando os receios de que as taxas de mortalidade possam agravar-se ainda mais com o passar dos anos.

Os investigadores também observaram uma deterioração mais ampla da mortalidade adulta a partir de 2010, impulsionada principalmente também pelas doenças cardíacas, e alertaram que os Estados Unidos podem enfrentar uma estagnação prolongada ou mesmo declínios na esperança de vida se a tendência não for invertida. Esta tendência continuou com as gerações seguintes, exacerbada por factores como a obesidade e a epidemia de opióides. Os dados podem ter implicações significativas para as políticas de saúde pública e para o planeamento económico.

No estudo, podemos ler:

“A coorte de nascimentos de 1950 a 1959 representa uma coorte de transição, na qual houve melhorias gerais na mortalidade entre as coortes nascidas antes e uma deterioração geral na mortalidade entre as coortes nascidas depois. Alarmantemente, as coortes nascidas após 1970 exibiram padrões de deterioração em todos os principais grupos de causas de morte em idades de jovens e adultos de meia-idade. Sobreposta a esta dinâmica de coorte, houve uma ampla deterioração da mortalidade que começou por volta de 2010 e foi experimentada por quase todas as coortes de adultos vivos na altura, impulsionada principalmente pela mortalidade por doenças cardiovasculares.”

Seja como for, vem uma pergunta à mente: há alguma tendência que esteja a evoluir para melhor, no Ocidente dos tempos que correm?