Num recordista exercício de estupidez, que aumenta exponencialmente o risco sobre a sua própria vida, Donald J. Trump revelou que deixou instruções para que os EUA ataquem o Irão caso seja entretanto assassinado, oferecendo a Telavive uma forma simples, barata e limpinha de obliterar o seu arqui-inimigo no Médio Oriente.

 

O presidente Donald J. Trump afirmou, numa entrevista na sexta-feira, que deixou instruções para retaliar contra o Irão com uma força sem precedentes caso o regime consiga assassiná-lo:

“Deixei instruções para que, se algo me acontecer, bombardear [o Irão] literalmente a níveis que nunca viram antes.”

Esta afirmação é de tal forma imbecil que coloca os sionistas numa posição em que se torna quase obrigatório matá-lo de facto, recorrendo a uma operação de falsa bandeira. Ou seja: ao risco que existia, porque depois de ter feito o que fez no Golfo, é apenas expectável que os iranianos o tentem matar, Trump somou um ainda maior, porque a Mossad é bem mais eficaz a terminar pessoas do que a Guarda Revolucionária Islâmica.

 

 

Não por acaso, as declarações de Trump surgem entre relatos de que Israel o terá alertado para um plano iraniano que objectivava o seu assassinato, embora o presidente tenha afirmado que Teerão há muito procura a sua morte desde que autorizou o ataque de 2020 que matou o comandante da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o general Qasem Soleimani.

Trump enfatizou que o Irão o tem como alvo constante desde esse momento, afirmando.

“Não, não, Israel não descobriu nada. Sou o número um [na lista de alvos do Irão] há muito tempo, e é assim que é a vida, sabem?”

Agora será também o alvo número 1 da Mossad. E com ganho nenhum, nem o da eventual expectativa de vingança, porque se o actual inquilino da Casa branca for assassinado, quem vai decidir sobre retaliações não são as instruções post mortem do assassinado, mas o presidente entretanto indigitado, que no caso será J.D. Vance.

O senil magnata de Queens reiterou ainda a sua posição, articulada pela primeira vez na cimeira da NATO na Turquia, no início da semana passada, de que o cessar-fogo com o Irão acabou devido à falha dos iranianos em cumprir os acordos, chamando os seus líderes de “escória”.

A premissa é falsa. Foi Israel quem primeiro, e à revelia das intenções da Casa Branca, desrespeitou o memorando de acordo ao continuar a bombardear o Líbano.

Os comentários de Trump sublinham, para além do seu baixo QI, a contínua volatilidade nas relações EUA-Irão, particularmente após o recente retomar das hostilidades na sequência dos ataques iranianos a navios no Estreito de Ormuz. As forças norte-americanas atacaram dezenas de alvos iranianos em retaliação, aparentemente focando-se em lanchas rápidas, instalações de drones e outras infraestruturas que os iranianos usavam contra a navegação comercial.

Ou seja: parece que desta vez não estão a bombardear colégios de meninas.