O estabelecimento britânico está a ameaçar pais, professores e médicos com pena de prisão caso tentem dissuadir as crianças de se submeterem a tratamentos irreversíveis de transição de género.

 

A deputada trabalhista Olivia Bailey, Ministra da Igualdade, publicou no fim de Junho um projecto-lei para proibir a terapia de conversão, que consiste em tentar que uma pessoa não procure identidades de género diferentes daquela com que biologicamente nasceu. De acordo com o projecto-lei, aqueles que tentarem impedir que as crianças se afirmem como homossexuais ou transgénero podem enfrentar até cinco anos de prisão.

Embora o governo insista que o projecto-lei não penalizará discussões “não abusivas” e supostamente inclua um “limiar elevado” para que as acusações sejam formalizadas, os críticos argumentam que a ampla definição de abuso do projecto, que inclui “palavras ou comportamentos controladores ou coercivos” e “uso de pressão psicológica ou emocional”, pode levar a acusações criminais por simples e justificadas conversas com crianças sobre a sua identidade de género.

Referindo-se à toxicidade e aos perigos dos tratamentos clínicos de transição de género, Bev Jackson, cofundadora da LGB Alliance, um grupo crítico de transições de género, afirmou:

“Certifique-se de que todos os que conhece – especialmente os pais – estão cientes do que está a acontecer: incluindo a proposta de penas de prisão de cinco anos para proteger o seu filho de drogas prejudiciais.”

Maya Forstater, Directora Executiva da Sex Matters, outro grupo crítico das tendências woke que dominam o estabelecimento britânico, comentou o projecto-lei nestes termos:

“Esta é uma proposta perigosa que prejudicará as pessoas que pretende proteger.”  

A proposta legislativa já provocou reaçcões negativas por parte das organizações de defesa dos direitos civis. Em resposta à iniciativa do governo britânico, a Free Speech Union, uma organização não partidária de interesse público que protege a liberdade de expressão, publicou no X:

Qualquer pai ou mãe que se dirija erradamente ao género da sua filha adolescente e confusa, ou tente dissuadi-la de embarcar num caminho médico irreversível, poderá enfrentar acusações criminais por tentar “convertê-la”. E não estamos a falar de uma simples advertência. No estado de Victoria, na Austrália, que proibiu a terapia de conversão em 2021, a pena máxima para quem tenta “converter” alguém é de 10 anos de prisão. Não serão apenas os pais e os profissionais de saúde que correrão o risco de prisão por tentarem dissuadir as crianças com confusão de género de se auto-mutilarem. Qualquer líder religioso que partilhe os ensinamentos da sua fé sobre questões como a homossexualidade e o casamento entre pessoas do mesmo sexo também poderá ser processado. É isto que este governo autoritário quer proibir: qualquer dissidência da ortodoxia progressista radical quando se trata de sexo e género.”

A Free Speech Union iniciou uma petição para revogar o projecto-lei, que já recebeu milhares de assinaturas.

 

 

Esta proposta legislativa enquadra-se numa tendência de radicalização da ideologia de género por parte do agora demissionário governo de Keir Satermer: como o Contra documentou em Junho, o regime britânico permitiu o reinício de um polémico ensaio clínico que administra bloqueadores da puberdade a crianças, apesar das contestações judiciais e das preocupações com a segurança dos infantes.