Scott Newgent (nascida Kellie King) não é uma voz qualquer no debate sobre a identidade de género. Em 2022, no documentário What is a Woman?, de Matt Walsh, sentou-se frente à câmara e, com uma honestidade crua que contrastava com a atitude evasiva dos “especialistas” transactivistas, contou a sua história.

Scott não era uma criança confusa; era uma mulher adulta, que fora casada com um homem e que tinha dado à luz os seus filhos. Contudo, aos 42 anos, após uma vida marcada por sofrimento emocional, trauma e uma vulnerabilidade que a tornou presa fácil, foi convencida de que o seu corpo feminino era a origem de todos os seus males.

A promessa de uma “solução” médica para a sua dor pessoal levou-a a uma transição completa: hormonas e oito cirurgias. O resultado? Infecções graves (incluindo pêlos a crescer dentro da uretra durante 17 meses), complicações cardíacas e pulmonares, um braço deformado e uma conta de quase um milhão de dólares. “Nunca serei um homem”, admitiu. “A transição médica é experimental e ninguém me falou dos efeitos secundários.”

Um episódio particularmente revelador ocorreu num dia comum, numa farmácia. Scott, já sob o efeito de testosterona, perguntou à farmacêutica se o medicamento de que necessitava poderia ser doseado como para um homem. A profissional, visivelmente constrangida, respondeu que não: a dose teria de ser a recomendada para mulheres. Mesmo após anos de transição, o corpo biológico de Scott — com a sua fisiologia feminina — continuava a exigir tratamentos calibrados para mulheres. Este momento expõe a mentira central da ideologia: por mais que se altere o corpo com hormonas e bisturis, a biologia não se apaga. O sexo permanece.

É precisamente este testemunho que ganha nova urgência no reel de Instagram que serve de base a este texto. Nele, a mensagem carrega a autoridade de quem viveu “100% medicamente transicionado”:

“Uma sociedade que ensina as crianças a rejeitarem o próprio corpo está a destruir uma geração diante dos nossos olhos. Em vez de cura emocional, oferecem hormonas, cirurgias e confusão. Deus criou homem e mulher, e as crianças não precisam de ser mutiladas para serem aceites. A verdade não muda porque a cultura mudou. Quem ama, protege. Quem protege, diz a verdade.”

Scott Newgent prova que a ideologia de género não escolhe idades; encontrou a fenda na sua dor de mulher, mãe e profissional, e vendeu-lhe a fantasia de que o corpo era opcional. Hoje, vive com um organismo irreversivelmente alterado, dependente de cuidados médicos para o resto da vida, e transformou essa tragédia numa cruzada contra a transição de menores.

Do ponto de vista crítico de género — que defende que o sexo biológico é real, imutável, determinado pela gametogénese, cromossomas e anatomia reprodutiva —, o caso de Scott desmonta a narrativa dominante. O sexo não é um “sentimento” nem um espectro fluido. Hormonas e cirurgias não criam um homem a partir de uma mulher; criam pacientes crónicos com riscos elevados de infertilidade, osteoporose e problemas cardiovasculares. Estudos como a Cass Review (Reino Unido, 2024) confirmam-no: a “afirmação de género” não reduz suicídios e ignora as causas subjacentes da disforia. Para a maioria das crianças, a disforia resolve-se naturalmente com tempo e terapia exploratória — não com bloqueadores e bisturis.

Scott Newgent pagou o preço na própria carne. Perdeu saúde, carreira e paz, mas ganhou clareza:

“Estamos a esquartejar uma geração de crianças porque ninguém quer falar sobre isto.”

O episódio da farmácia é um lembrete humilhante dessa realidade biológica inescapável. Mesmo “totalmente transicionado”, o seu corpo continuava a ser o de uma mulher.

A verdade é desconfortável, mas simples: não se muda de sexo. Ensinar às crianças que o seu corpo está “errado” é abuso institucionalizado, lucrativo para a indústria farmacêutica e cirúrgica. Scott Newgent não pede ódio; pede protecção. Pede que a verdade — homem e mulher são categorias biológicas — volte a guiar a medicina e a educação.

Quem realmente ama as crianças, não as confunde. Quem realmente as protege, não as mutila. O testemunho de Scott Newgent é um grito de alerta. A geração que está a ser sacrificada no altar da ideologia merece adultos dispostos a dizer a verdade, custe o que custar.

 

 

MARIA HELENA COSTA

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Maria Helena Costa nasceu em Aveiro, em 1965. É cristã, conservadora, casada, mãe de três filhos e avó de duas netas. Preside à Associação Família Conservadora e é deputada municipal. Realiza regularmente palestras sobre os impactos das correntes ideológicas contemporâneas na infância. É autora de várias obras publicadas, entre as quais: #éhoradospais – Uma defesa do superior interesse das crianças (2020), Feminismo Tóxico (2022), Ideologia de Género – Crónicas publicadas no Observador (2023), Identidade de Género – Ideologia ou Ciência? (2025) e Genocídio Silencioso (2026)

As opiniões da autora não reflectem necessariamente a posição do ContraCultura.