A nave experimental reutilizável chinesa Shenlong lançou um objecto não identificado em órbita, gerando especulações sobre o seu propósito e potenciais implicações para a segurança espacial global.

 

A Shenlong, ou “Dragão Divino”, terá lançado mais um objecto não identificado em órbita baixa da Terra durante a sua quarta missão, elevando o número total de cargas úteis lançadas desde 2022 para pelo menos nove. A detecção ocorreu quando o equipamento de radar na Nova Zelândia confirmou o lançamento e identificou o objecto como originário da nave espacial.

A Shenlong, que é lançada por foguetões verticais e aterra horizontalmente como o vaivém espacial aposentado da NASA, continua envolta em grande segredo, sem imagens disponíveis publicamente ou detalhes oficiais sobre as suas dimensões e objectivos de missão. O Shenlong realizou o seu primeiro voo numa missão de teste de dois dias em 2020, antes de completar missões prolongadas com a duração de oito meses em 2022-23 e nove meses em 2023-24, durante as quais lançou oito objectos não identificados, incluindo seis libertados simultaneamente no seu terceiro voo. A sua missão actual começou a 7 de Fevereiro com um lançamento a bordo de um foguetão ‘Longa Marcha 2F’ do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no Deserto de Gobi, e as autoridades chinesas não forneceram actualizações sobre as actividades da nave espacial, alimentando especulações contínuas sobre o seu propósito e capacidades.

O Professor Jonathan McDowell, do Centro de Investigação Espacial da Universidade de Durham, afirmou a este propósito:

“A USSF catalogou um novo objecto (69673) libertado da sonda chinesa CSSHQ4 (2026-024A), que está em órbita desde 7 de Fevereiro. Missões anteriores da sonda também lançaram tais objectos, que podem ser pequenos subsatélites, como cubesats.” 

O incidente intensifica as crescentes preocupações globais sobre a militarização do espaço, com a China, os Estados Unidos e a Rússia a desenvolverem tecnologias capazes de interromper ou destruir satélites.

Em Fevereiro deste ano, o Contra noticiou que a China terá desenvolvido uma nova arma de micro-ondas compacta e de alta potência, a TPG1000Cs, desenvolvida no Instituto de Tecnologia Nuclear de Xangai, que pode tornar-se uma das ameaças mais graves à rede de satélites Starlink.

Em Dezembro de 2025, a China bateu um recorde de cadência de lançamento de foguetões ao lançar com sucesso três ‘Longa Marcha’ para o espaço em apenas 19 horas.

Ao contrário do programa lunar norte-americano, que tem somado fiascos e atrasos vários, a China está a progredir em direcção ao seu objectivo de levar astronautas à Lua até 2030, ao concluir com sucesso, em Agosto do ano passado, o primeiro “teste abrangente de aterragem e descolagem” do seu módulo Lanyue.

Em Março de 2025, as forças armadas dos Estados Unidos observaram um grupo de satélites chineses a efectuar manobras avançadas em órbita, descritas como “dogfighting”, que podem eventualmente perturbar a funcionalidade dos satélites de outros países.

Em Junho de 2024 a China levou uma nave ao lado oculto da Lua, numa missão histórica de recolha de amostras.