O presidente norte-americano Donald J. Trump acusou as principais empresas petrolíferas de praticarem preços abusivos, dado que os preços da gasolina continuam elevados apesar da reabertura do Estreito de Ormuz, o que levou a uma investigação do Departamento de Justiça.

O preço da gasolina nos EUA não chega aos 2,25 dólares por galão desde 2 de Janeiro de 2021. Actualmente, o preço médio da gasolina é de 3,92 dólares por galão, abaixo dos 4,51 dólares de há um mês, mas ainda assim significativamente acima da média de 2,98 dólares registada antes da guerra com o Irão, que começou no final de Fevereiro.

A exigência do presidente para a redução do preço da gasolina ocorreu na quarta-feira da semana passada, perante repórteres na Sala Oval. O presidente argumentou que o preço da gasolina deveria cair após um acordo de paz com o Irão para reabrir o Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento vital no comércio global de petróleo. Aproximadamente 20% das exportações de petróleo passam pelo estreito. Trump acusou as principais companhias petrolíferas, como a ExxonMobil, a Chevron, a Shell e a BP, de praticarem políticas abusivas para evitar um colapso dos preços após o acordo.

Trump anunciou que o Departamento de Justiça (DOJ) está a conduzir uma investigação sobre a prática de preços abusivos por parte das companhias petrolíferas.

“Os preços do petróleo têm vindo a cair tanto, e não estamos a ver nada nos postos de abastecimento em comparação com o que deveria ser. Na minha opinião, deveríamos estar a 2,25 dólares agora nos postos. E estamos acima disso. Estamos a fazer uma grande investigação sobre isto, sabem? Não estão a reduzir os preços proporcionalmente ao que está a acontecer. Pensem nisto, 19 milhões de barris foram exportados ontem… Não explorem o nosso povo.”

Isto vindo homem que criou o problema no Estreito de Ormuz e que nem há duas semanas atrás dizia que adorava a inflação…

 

 

A investigação do Departamento de Justiça, a concretizar-se de faco, e a pressão pública podem levar as companhias petrolíferas a ajustar os preços mais rapidamente, embora alguns especialistas tenham alertado que factores estruturais, como a procura sazonal e os custos da cadeia de abastecimento, tornam improvável que os 2,25 dólares sejam alcançados num futuro próximo.

É verdade que as empresas do sector roubam desavergonhadamente os consumidores, cartelizam ilegalmente os preços, e podem muito estar a manter os preços artificialmente altos, para exponenciar os lucros, usando a situação no Estreito de Ormuz como desculpa para o livre curso da ganância corporativa. Este tipo de práticas abusivas é até característico do sector e sempre que há uma alta de preços do crude, estes nunca regressam aos mesmos valores depois de ultrapassado esse ciclo.

Mas alguém tem que dizer ao presidente norte-americano que o memorando de entendimento com os iranianos já colapsou, que a guerra no Golfo continua activa, que o trânsito no Estreito está longe da normalidade e que na semana passada as forças iranianas atingiram até um navio mercante, cumprindo a promessa de voltar a fechar este canal de navegação como retaliação pelos contínuos bombardeamentos de Israel sobre o Líbano.