Em Portugal, a indústria do jogo online tem um volume de facturação bruta anual de 1,2 mil milhões de euros. Ou seja, cada português perde em média por ano 115 euros.
Mas a verdade é que a indústria tem neste momento cerca de 1,2 milhões de contas activas, pelo que temos 12% da população portuguesa a perder cerca de 1.200 euros por ano no jogo online.
A indústria investiu 43 milhões de euros em publicidade, em 2025, sendo o sector com maior crescimento nas despesas em marketing e aproximando-se dos sectores que mais gastam em publicidade em Portugal (grande distribuição e telecomunicações).
As empresas do jogo online pagaram, em 2025, 353 milhões de euros ao Estado, e encheram também os cofres dos media corporativos, dos clubes de futebol e de outras modalidades que são populares entre os apostadores (e não necessariamente queridas pelos fãs).
Ou seja: trata-se de uma actividade económica que transfere riqueza das massas para o sistema corporativo. A um ritmo alucinante que vale a pena sublinhar de novo: 1,2 mil milhões de euros são retirados aos rendimento dos portugueses todos os anos, para lucro das empresas do sector, do Estado, dos aparelhos mediáticos do regime e de clubes desportivos.
É claro que uma boa parte da responsabilidade pela roubalheira é de quem é roubado. Não há dúvidas sobre isso. Mas pensem comigo: os condutores não usavam cinto de segurança e o Estado obrigou-os a usar cinto de segurança porque era melhor para eles. Os fumadores são obrigados a comprar maços de tabaco com fotos de crianças a morrer de cancro porque é melhor para eles. Os consumidores são penalizados fiscalmente por causa do açúcar e do álcool que consomem porque é melhor para eles. Os portugueses foram submetidos a um regime de confinamento de inspiração leninista e submetidos a terapias genéticas de alto risco, cuja engenharia ainda hoje está por conhecer na sua completude, porque era melhor para eles. Os drogaditos têm que comprar droga às escondidas porque é melhor para eles. Os contribuintes são esmagados por uma carga fiscal de carácter absolutamente esclavagista porque é melhor para a sociedade. Os europeus vão, mais cedo do que tarde, ser recrutados para morrer numa guerra contra a Rússia porque é melhor para a Europa, são submetidos a todo o tipo de restrições porque é melhor para o planeta e assim sucessivamente: o Estado decide frequentemente o que é melhor para o cidadão, mesmo que seja contra a vontade do cidadão.
Mas neste caso, não.
Neste caso o Estado permite que o cidadão estoire alegremente e sem qualquer restrição as suas poupanças e rendimentos numa indústria que é mafiosa por definição (existe precisamente para roubar dinheiro às pessoas e não presta qualquer serviço de utilidade social) e aditiva por natureza (o vício do jogo também é uma droga dura). Pudera: o Estado é o primeiro beneficiário do banditismo e o banditismo compagina completamente com o ideário corporativo-globalista, que tem entre os seus principais vectores estratégicos o empobrecimento das massas.
Precisamente por isso, seria expectável que o partido político que em Portugal opera sob a bandeira populista tentasse dificultar esta actividade de crime organizado. Nada. E não admiraria ninguém que o Partido Comunista, por todas as razões e mais algumas, se mostrasse também activamente predisposto a contrariar os interesses desta máquina de sugar dinheiro às massas. Nadinha. Curiosamente, é o Livre, que em tudo combate por um Estado mais rico e por cidadãos mais pobres, que com alguma energia tem tentado dar luta à indústria, embora sem qualquer sucesso, claro.
O regime, a cada dia mais gordo, adora o jogo online. O cidadão, a cada dia mais magro, adora o jogo online.
Faz tudo parte do mesmo processo distópico, da mesma mecânica de destruição civilizacional, a que estamos submetidos, no Ocidente contemporâneo. As pessoas são substituídas, por outras gentes ou por algoritmos, sob o alto patrocínio das elites corporativas, mas também porque permitem ser substituídas (muitas apoiam activamente a substituição). Os cidadãos são fascizados pelas “autoridades” em Bruxelas porque gostam de ser fascizados e concordam com o fascismo. Os contribuintes são espoliados pelas máquinas tributárias regimentais porque toleram o furto, de cara alegre e espírito solidário. Os pais permitem que as suas filhas sejam violadas por imigrantes, para que não lhes caia em cima o opróbrio do racismo. Os povos deixam cair a sua história, a sua cultura, a sua língua, a sua identidade, porque foram convencidos que não merecem sequer um legado. Os jogadores são empobrecidos porque acham que podem ganhar num programa que foi construído para que percam.
O jogo online é, na verdade, só mais um vector da distopia WEF.
Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura
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