O presidente norte-americano Donald J. Trump, que também exerce funções de palhaço rico no grande circo de Washington, anunciou ontem novas conversações de paz com o Irão, mas o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano negou de pronto que qualquer encontro esteja sequer agendado, dada a guerra aberta que volta a eclodir no Golfo Pérsico.

 

Donald Trump afirmou ontem no Truth Social que o Irão teria solicitado negociações de paz, marcadas para 30 de junho em Doha, no Qatar. No entanto, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, negou publicamente a afirmação, declarando:

“Não está prevista qualquer reunião técnica dos grupos de trabalho para esta semana”.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner liderariam a delegação dos EUA caso as negociações prossigam. As declarações contraditórias surgiram após ambos os países terem trocado ataques militares no fim de semana, aumentando as tensões e as preocupações sobre o futuro das negociações nucleares. De acordo com a Casa Branca, a escalada de violência mais recente ocorreu após ataques iranianos contra navios comerciais no Estreito de Ormuz, com recurso a drones, o que levou a ataques dos EUA contra instalações iranianas de mísseis, drones e radares ao longo do Golfo Pérsico. Leavitt afirmou que os Estados Unidos responderiam com firmeza aos ataques contra embarcações comerciais e reiterou o compromisso do governo federal em proteger a navegação internacional (que o mesmo governo federal começou por perturbar).

Entretanto e como seria de esperar, dado o caos, os preços do petróleo subiram, com o Brent a ser negociado a cerca de 72 dólares por barril e o West Texas Intermediate perto dos 70 dólares. Os negociadores norte-americanos estariam a procurar um acordo que exigiria que o Irão abandonasse as suas ambições de armas nucleares e entregasse o seu stock de urânio enriquecido, enquanto o Irão pediu o controlo do Estreito de Ormuz e a libertação de milhares de milhões de dólares em activos congelados.

Só nas últimas 48 horas, as autoridades iranianas já desmentiram afirmações dos dois mais importantes responsáveis do governo federal americano. Para além desta que agora documentamos, o ministério dos negócios estrangeiros iraniano contradisse explicitamente as afirmações de J.D. Vance sobre o consentimento iraniano para inspecções nucleares, afirmando que esse consentimento não foi dado por Teerão e que qualquer negociação sobre esse assunto será realizada à parte do memorando de entendimento assinado, e agora já caduco, em meados deste mês.

Como se tudo isto não bastasse, os meios de comunicação social estatais iranianos e os veículos mediáticos afiliados à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) defendem agora que o país deve procurar abertamente mecanismos de dissuasão nuclear, dadas as constantes ameaças de extinção da civilização persa emitidas por Donald Trump nos últimos meses.