A perspectiva económica para as indústrias metalúrgica e eléctrica alemãs está a tornar-se cada vez mais crítica, com as associações de empregadores a avisarem que o actual panorama não é apenas “dramático”, mas que 300.000 empregos correm o risco de desaparecer. Este cálculo arrepiante surge após a perda de 340 mil postos de trabalho desde 2019, deixando o número de trabalhadores empregados nestes sectores industriais nos 3,8 milhões.
Ou seja, no espaço de uma década o mercado de trabalho industrial na Alemanha vai decrescer cerca de 25%.
A co-líder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel, pegou nos desastrosos dados económicos para atacar o governo de Friedrich Merz, no X:
“De acordo com um estudo da consultora EY, mais de 341 mil empregos industriais foram eliminados na Alemanha desde 2019. Só no primeiro trimestre de 2026, o emprego caiu 2,3%. Portanto, as medidas de auxílio e as reformas estruturais anunciadas pelo Chanceler Federal Friedrich Merz, não se concretizaram. A perda contínua de mais de 341 mil empregos industriais não é um fenómeno cíclico marginal, mas antes a expressão de uma profunda falha da política estrutural. Enquanto outras economias estão deliberadamente a reforçar a sua base industrial e a beneficiar do crescimento global, a Alemanha, sob a liderança de Friedrich Merz, distanciou-se ainda mais da recuperação internacional.”
Não se percebe lá muito bem de que “recuperação internacional” e “crescimento global” estará Weidel a falar, mas para compensar o dislate a líder populista registou assertivamente que não existem reformas eficazes em curso na Alemanha, mas sim estruturas “hostis ao crescimento” que estão a acelerar a fuga da produção para o exterior.
“Enquanto a nossa própria localização industrial se deteriora, milhares de milhões em fundos estão a ser desviados para projectos no estrangeiro. Uma sistemática má alocação de recursos públicos em detrimento da nossa própria economia, o que não tem absolutamente nada a ver com uma política económica responsável”.
Gemäß einer Studie des Beratungsunternehmens EY sind in Deutschland seit 2019 mehr als 341.000 Industriearbeitsplätze abgebaut worden. Allein im ersten Quartal 2026 sank die Beschäftigung um 2,3 Prozent. Die von Bundeskanzler Friedrich Merz angekündigten Entlastungen und… pic.twitter.com/erE7bzagxK
— Alice Weidel (@Alice_Weidel) May 26, 2026
Seja como for, os problemas podem estar apenas a começar para Merz, com a aprovação do seu governo a níveis muito baixos e o AfD com intenções de voto entre os 28% e os 29%, tornando-se o partido mais popular do país.
O presidente da Gesamtmetall, a principal organização patronal da indústria metalúrgica e de engenharia elétcrica na Alemanha, Udo Dinglreiter, indicou que o sector industrial está à beira de reduções significativas da força de trabalho e que centenas de milhares de postos de trabalho correm o risco de serem perdidos, dizendo ao jornal Handelsblatt:
“Corremos o risco de perder mais 300 mil empregos.”
Caso tal aconteça, representará os níveis de emprego mais baixos nos sectores industriais da electricidade e do metal desde a reunificação da Alemanha. Só. Além disso, estes são empregos bem remunerados e fundamentais para muitos outros sectores, o que poderá gerar um efeito dominó na economia germânica.
Dinglreiter está particularmente focado na China, descrevendo os investimentos financeiros chineses na União Europeia como “preocupantes” para a economia nacional e sublinhando que a maior parte destes fundos está a ser direccionada para outros Estados-membros da UE, em vez da Alemanha, o que não fomenta a criação de emprego local, mas antes estabelece novos concorrentes que operam com condições mais favoráveis e maior acesso ao mercado.
Para resolver este problema, o líder do Gesamtmetall está a pressionar o governo federal para implementar rapidamente um pacote de políticas com o objectivo de restaurar a competitividade económica do país. Sem estas medidas, alertou, os cortes de emprego continuarão, mais processos serão realocados e menos impostos e contribuições para a segurança social serão pagos, iniciando uma grave espiral descendente. Ou ascendente, na perspectiva leninista-globalista, porque como sempre acontece neste tipo de situações, a incompetência é implausível.
Simultaneamente, os representantes da indústria mecânica alemã estão a pressionar a Ministra da Economia, Katherina Reiche, para que adopte uma posição firme durante a sua próxima missão diplomática à China. O director executivo da VDMA, Thilo Brodtmann, afirmou antes da partida de Reiche que esta deve deixar inequivocamente claro que a Europa não tolerará mais distorções sistemáticas da concorrência.
O que dá vontade de rir, considerando o cartelismo corporativo que Bruxelas promove descaradamente.
Não por acaso, uma missão semelhante que a UE ousou fazer à China terminou com poucos resultados. Durante esta viagem, o presidente francês Emmanuel Macron praticamente implorou pela ajuda de Beijing, afirmando que a indústria europeia enfrenta uma luta de “vida ou morte” para sobreviver.
Sendo certo que a China está muito à frente da Europa em termos de inovação e competitividade, os líderes industriais e sindicais alemães tentam aliviar as suas responsabilidades, apontando para práticas desleais das empresas chinesas. Brodtmann afirmou a este propósito:
“Uma moeda artificialmente desvalorizada, subsídios excessivos e controlos de exportação com motivações políticas não são ofensas triviais. Colocam em risco a indústria europeia.”
No entanto, estas alegações não contam toda a história. A Alemanha e a Europa também abandonaram a energia barata da Rússia, enquanto a China não teve tais escrúpulos em relação aos seus fornecedores de energia. A China não fechou parvamente as suas centrais nucleares, como fez a Alemanha. O governo de Beijing trabalha para proteger e ajudar a desenvolver as empresas do país, enquanto Bruxelas trabalha para limitar e prejudicar e sobre-regulamentar e sobre-taxar a indústria europeia. Talvez ainda mais importante, a China opta por investir nos seus próprios cidadãos em vez de importar grandes quantidades de mão-de-obra, na sua maioria não qualificada, caminho escolhido pela Alemanha.
China almost completely rejected mass immigration and has about as many foreigners in the country as just one German city, Berlin.
🇨🇳All of China: 845,000 foreign nationals
🇩🇪Berlin: 860,000-870,000 foreign nationalsBy the EU left-liberal establishment’s own logic, China… pic.twitter.com/ADPyiaWvKi
— Remix News & Views (@RMXnews) December 9, 2025
Wang Chuanfu, o presidente da gigante automóvel BYD, afirmou que a empresa está muito à frente dos fabricantes de automóveis europeus e de outros países ocidentais devido aos seus mais de 100 mil engenheiros, quase todos chineses.
“Se tivéssemos de nomear os nossos activos, acredito que o maior ativo da BYD é a sua equipa de engenharia. Temos 110 mil engenheiros, e esse é o maior ativo da BYD.”
Independentemente das razões por detrás do actual colapso industrial da Alemanha, Merz não tem soluções fáceis e, para além do AfD, está também a ser criticado pelos partidos de esquerda. As figuras políticas do Partido Verde, por exemplo, exigiram acções enérgicas do governo (no sentido de acelerar o descalabro, claro).
Mais a mais, a pressão política sobre o governo federal alemão surge no contexto da intensificação da concorrência para os fabricantes nacionais, uma tendência reforçada pelas recentes estatísticas do comércio bilateral. Durante o primeiro trimestre, as importações alemãs originárias da China aumentaram 6,4%, atingindo 43,5 mil milhões de euros em comparação com o ano anterior, enquanto as exportações alemãs para a China caíram 12,5%, para 18 mil milhões de euros.
O quadro económico geral na Alemanha é negro: Segundo um relatório recente do FMI, o país necessita de cerca de 220 mil milhões de euros em receitas adicionais até 2035 para estabilizar a sua dívida pública. De acordo com um estudo da consultora empresarial Falkensteg, o número de insolvências entre empresas alemãs com um volume de negócios superior a 10 milhões de euros triplicou, em 2025. E as falências no geral estão a aumentar a um ritmo de 20% ao ano, com o desemprego a atingir quase 3 milhões de alemães.
Entretanto, no fim de Maio, os alemães ficaram a saber que 65 mil pequenas lojas de retalho desapareceram desde 2010.
Não é por acaso que o CEO do Deutsche Bank, o banco de referência alemão, advertiu em 2023 que a Alemanha corre o risco de se tornar o “homem doente da Europa”.
O globalismo está a aniquilar aquela que já foi uma das economias mais pujantes do mundo.
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