
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão negou publicamente as afirmações dos Estados Unidos de que a República Islâmica teria concordado em permitir que os inspectores internacionais examinassem as suas instalações nucleares, levantando dúvidas sobre as recentes conversações de paz na Suíça.
De acordo com Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, os representantes da República Islâmica não se reuniram com Rafael Grossi, Director-Geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), uma agência intergovernamental das Nações Unidas (ONU) que promove o uso pacífico da energia nuclear. Baghaei afirmou ainda que não foi feito qualquer acordo para que a AIEA inspeccione as instalações nucleares do Irão.
Isto acontece após comentários contraditórios do vice-presidente J.D. Vance, que afirmou que o Irão tinha concordado em admitir inspectores da AIEA durante as conversações de paz na Suíça. Ao invés, na terça-feira, as autoridades iranianas alegaram que quaisquer acordos relativos às suas instalações nucleares seriam tratados num processo separado, estabelecido na estrutura de negociação de 60 dias do actual memorando de entendimento. Apesar de rejeitar as alegações de que foram discutidas inspecções nucleares, o Irão manteve que está a cumprir as suas obrigações de salvaguardas ao abrigo do Tratado de Não Proliferação.
Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, afirmou a este propósito:
“Não tivemos uma reunião com o director-geral da AIEA, nem existe um plano para inspecções da agência às instalações nucleares danificadas do Irão… Não existe um protocolo para esta questão.”
Os relatos contraditórios das conversações de paz na Suíça implicam um fosso significativo nos esforços diplomáticos entre os EUA e o Irão, apesar de um memorando de entendimento emitido no início deste mês, que incluia isenções nas exportações de petróleo iraniano e 300 mil milhões de dólares para reconstrução e desenvolvimento económico da república islâmica, juntamente com um período de negociação de 60 dias para finalizar os termos relativos ao futuro do programa nuclear iraniano.
Entretanto, nos últimos dias, os EUA, Irão e Israel têm violado flagrantemente o memorando de entendimento que foi assinado na Suíça: Israel continuou a bombardear o Líbano, o Irão tem feito fogo sobre embarcações mercantis no Estreito de Ormuz, os Estados Unidos desencadearam ataques militares retaliatórios no território iraniano e o Irão respondeu com ataques balísticos a instalações militares norte-americanas no Golfo e até atacando o porta-aviões USS Abraham Lincoln.
Em resposta, Donald Trump voltou a ameaçar o Irão de aniquilação total.
Trump is getting ready to attack Iran again and this time it will be much BIGGER! I predict if a REAL deal is not made by July 4th, the strikes come on the 5th.. https://t.co/yixKBujnyQ pic.twitter.com/tc2K7GxrOw
— Alex Jones (@RealAlexJones) June 29, 2026
Isto enquanto na imprensa estatal iraniana se defende com veemência a necessidade, urgente, do Irão possuir armas nucleares.
Está marcada uma nova ronda de negociações para o Qatar, mas as perspectivas de entendimento entre as partes conflituantes são probabilisticamente baixas.
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