Um ataque a um navio comercial no Estreito de Ormuz por parte da Guarda Revolucionária Islâmica aumentou as tensões e lançou dúvidas sobre a sustentabilidade do recente memorando de entendimento entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irão.

 

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) atacou na quinta-feira um navio comercial com bandeira de Singapura no Estreito de Ormuz, apesar do memorando de entendimento com os Estados Unidos. O ataque ocorreu na quinta-feira, na costa de Dahit, Omã, à entrada do Estreito, um ponto de estrangulamento crítico para a navegação global.

O ataque acontece após um memorando entre os Estados Unidos e o Irão para pôr fim ao conflito entre os dois países, que começou no final de Fevereiro, e facilitar a passagem segura pelo Estreito de Ormuz durante 60 dias. A ponte de comando do navio terá sido danificada por um “projéctil desconhecido”. Não houve registo de vítimas, de acordo com o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.

O incidente interrompeu as operações de navegação na região. Após o ataque, a Organização Marítima Internacional (OMI), uma agência das Nações Unidas (ONU) que regula a navegação internacional, suspendeu temporariamente um plano de evacuação para embarcações encalhadas no Golfo Pérsico “para reconfirmar que as garantias de segurança necessárias continuam em vigor”.

Arsenio Dominguez, Secretário-Geral da OMI, afirmou a este propósito:

“A segurança dos marinheiros continua a ser primordial… Portanto, para garantir uma abordagem coordenada e a segurança da navegação, o plano de evacuação será suspenso até que se obtenha maior clareza”.

Os ataques concorrem com um alerta do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que afirmou na quinta-feira:

“Se os navios estiverem a navegar como devem, é isso que vamos avaliar e é a isso que vamos reagir… Se, por outro lado, esta retórica for apoiada por ameaças reais a navios e estes não estiverem a navegar, isso é uma violação do acordo e teremos um problema com isso”.

Estas declarações seguiram-se a ameaças de Teerão sobre um novo fecho do Estreito, já que Israel tem continuado a bombardear o Líbano, à revelia do memorando de acordo entre os EUA e o Irão.

O ataque aumenta ainda mais a incerteza sobre a estabilidade desse acordo, que visa pôr fim ao conflito do Golfo. Especificamente, o ataque irá provavelmente complicar a disputa em curso sobre as rotas de navegação. Os EUA querem permitir que os navios naveguem livremente ao longo da costa de Omã, enquanto o Irão se opõe, argumentando que todas as embarcações devem solicitar autorização de Teerão antes de entrarem no Estreito de Ormuz.

Aproximadamente 20% das exportações de petróleo passam pelo Estreito de Ormuz.