Um relatório governamental britânico, mantido em segredo mas agora caído no domínio público, revelou que biliões de libras esterlinas do dinheiro dos contribuintes foram alocados a actores hostis, incluindo terroristas, através de ajuda externa e empréstimos para o combate à Covid-19.

 

De acordo com um relatório secreto do governo britânico, aproximadamente 28 biliões de libras esterlinas (~40 biliões de euros) foram enviados para terroristas, estados hostis e gangues organizados sob a forma de ajuda externa e empréstimos para o alívio da Covid. Os destinatários do dinheiro incluem a Rússia, o Estado Islâmico e a China.

Especificamente, foram concedidos subsídios do governo britânico a uma empresa tecnológica que foi parcialmente adquirida por uma holding ligada ao Estado russo, enquanto empréstimos para o alívio da Covid foram enviados para terroristas do Estado Islâmico, na Síria. Além disso, foi dado financiamento de investimento a empresas ligadas às forças armadas chinesas, enquanto os fundos destinados a esforços antiterroristas acabaram nas mãos de grupos extremistas anti-ocidentais. O dinheiro dos contribuintes britânicos também foi enviado para gangues que facilitam a imigração ilegal para a Grã-Bretanha.

Rebecca Harding, CEO do Centro para a Segurança Económica, afirmou a este propósito:

“Um dos problemas é que assumimos que todos querem a mesma coisa que nós. O que não percebemos é que, quando se trata de outros países… alguns querem projectar o seu poder económico de uma forma que mina o nosso. É uma guerra económica, e nós fomos ingénuos em relação a tudo isto.”

Ingénuos? Também podemos facilmente argumentar que estes fluxos financeiros foram intencionalmente transferidos para terroristas e maus actores internacionais, considerando o perfil operacional de organizações como o MI6, e as convicções ideológicas de boa parte do estabelecimento político britânico.

Ainda assim, o relatório destaca a ligação entre a fraude e a segurança nacional. Desde a sua publicação, os especialistas têm instado o governo britânico a reforçar e integrar as suas estratégias de combate à fraude e ao terrorismo, embora não tenham sido tomadas medidas verificáveis ​​em resposta.

A alegada fraude ocorreu entre 2015 e 2021. O Partido Conservador, actualmente liderado pela nigeriana Kemi Badenoch, presidia ao governo durante esse período e terá redigido o relatório, mas impediu a sua publicação para evitar repercussões negativas.

O professor Nicholas Ryder, antigo consultor da Comissão de Assuntos Internos, comentou o escândalo:

“O principal problema com a posição do Reino Unido é que o governo não reconhece esta ligação específica entre a fraude e o financiamento do terrorismo. Trata-se de uma ameaça à segurança nacional… a ameaça é reconhecida, mas em termos de políticas públicas, por parte dos sucessivos governos, esta ligação parece não ser estabelecida.”

Por alguma razão será.